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Empresas ampliam IA, mas não conseguem comprovar resultados

Governança de IA permanece gargalo: 78% não confiam em auditoria independente em até 90 dias, dificultando comprovação de resultados

Foto: Unsplash/Annie Spratt / DINO
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  • Pesquisa da Grant Thornton com 950 líderes de 10 setores mostra que 78% das organizações não têm alta confiança para passar por uma auditoria independente de governança de IA em até 90 dias.
  • Há uma lacuna de comprovação: as empresas usam IA, mas não conseguem explicar, medir ou defender de forma consistente como as decisões são tomadas e quem responde pelos resultados.
  • Governança é o principal gargalo, apontada por 46% dos executivos; apenas 11% indicam risco e compliance como área que mais precisa de foco para IA.
  • Empresas com IA totalmente integrada mostram maior crescimento: 58% relatam crescimento de receita e 81% aumento de eficiência, com correlação entre maturidade de governança e resultados.
  • Desalinhamento entre lideranças é preocupação: CIOs/CTOs são cinco vezes mais propensos que COOs a dizer que a força de trabalho está pronta para adotar IA; 74% dão acesso a dados, mas apenas 20% têm plano estruturado de resposta a falhas.

A adoção de inteligência artificial avança nas empresas, mas a capacidade de comprovar os resultados ainda é limitada. O AI Impact Survey 2026, da Grant Thornton, ouviu 950 líderes de 10 setores entre fevereiro e março de 2026. O estudo aponta que 78% não confiam fortemente em passar por uma auditoria independente de governança de IA em até 90 dias.

A pesquisa aponta uma lacuna na comprovação da IA. Muitas organizações já utilizam ou ampliam o uso da tecnologia, porém ainda não explicam claramente como as decisões são tomadas, quem responde pelos resultados e quais controles estão em vigor.

Governança como gargalo

Dados do levantamento indicam que barreiras de governança e compliance são citadas por 46% dos executivos como a principal causa de baixo desempenho ou falha em projetos de IA. Apenas 11% indicam risco e compliance como área de maior necessidade de foco para alcançar ambições com IA.

Maikon Silva, sócio de Risk da Grant Thornton Brasil, destaca que a discussão sobre IA deve ir além da tecnologia. Segundo ele, modelos que apoiam decisões exigem responsabilidades, controles e métricas claras para demonstrar valor e responder por eventuais falhas.

Maturidade eleva geração de valor

A pesquisa mostra que empresas com IA plenamente integrada têm quase quatro vezes mais probabilidade de crescer a receita do que as que estão em piloto. Entre as organizadas com IA integrada, 58% relatam crescimento, 81% aumento de eficiência, 64% melhoria na qualidade dos resultados e 59% inovação acelerada.

Para Maikon, a evolução está ligada à governança. Quando bem estruturada, a governança oferece segurança para escalar a IA com confiança e facilita medir o que funciona, interromper o que não gera resultado e documentar controles.

Desalinhamento entre lideranças

O estudo aponta desalinhamento entre as lideranças. CIOs e CTOs são cinco vezes mais propensos do que COOs a considerar a força de trabalho plenamente preparada para adotar IA. A Grant Thornton vê nisso diferenças de visão entre tecnologia e operações.

A instituição também alerta para os riscos da IA autônoma. Embora 74% dos líderes afirmem que a IA terá acesso a dados e processos, apenas 20% das organizações têm plano estruturado de resposta a falhas já testado.

Caminho para fechar a lacuna

Para reduzir a lacuna de comprovação, a Grant Thornton sugere tratar a governança de IA como um sistema de desempenho, com papéis definidos, métricas de ROI, critérios para escalar ou encerrar iniciativas, alinhamento entre C‑level e planos de resposta a incidentes testados.

De acordo com o estudo, a maturidade não depende apenas do volume de iniciativas, mas da capacidade de provar que elas funcionam de forma segura, mensurável e sustentável.

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