- Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, passando a ocupar o 65º lugar entre 70 economias, o pior patamar em anos recentes.
- A baixa produtividade foi o principal fator de queda, com queda de 0,5% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre; horas trabalhadas e população ocupada subiram 0,5% e 0,4%, respectivamente.
- A falta de mão de obra qualificada é apontada como entrave, aliado ao baixo investimento em educação (cerca de 5% do PIB), em comparação a nações como a Suíça.
- Mesmo após cortes, a Selic permanece alta: corte de 0,25 ponto percentual levou a 14,25%, mantendo custo de capital elevado e impacto em investimentos.
- Dados da CNC de maio de 2026 mostram endividamento elevado, com 81,6% das famílias com alguma dívida e 50,5% da população adulta inadimplente, enquanto o setor de serviços representa cerca de 70% do PIB.
O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, divulgado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. O país ficou em 65º lugar, entre 70 economias avaliadas, o pior desempenho em anos recentes. A divulgação ocorreu na quinta-feira (18).
O recuo foi puxado pela baixa produtividade, um desafio crônico da economia brasileira. A área de horas trabalhadas por pessoa e a relação com a ocupação mostram avanços modestos de 0,5% e 0,4%, respectivamente, mas não neutralizam a tendência de queda.
Dados da FGV IBRE apontam queda de 0,5% na produtividade por hora no primeiro trimestre, reforçando o retrato de produtividade abaixo do desejado. Especialistas ligam a piora a fatores estruturais que afetam o crescimento.
Segundo analistas, a deficiência de mão de obra qualificada é determinante para o desempenho. A escassez de engenheiros, por exemplo, é destacada como entrave ao desenvolvimento de setores como tecnologia e indústria.
A estrutura da economia brasileira contribui para o cenário atual: cerca de 70% do PIB corresponde a serviços, 20% a 25% à agropecuária e 5% à indústria, com grande parte dos empregos em atividades de menor remuneração. Isso pesa na alimentação de ganhos de produtividade.
Selic como entrave à produção
Para Carla Beni, do Corecon-SP e da FGV, o custo elevado de capital, mediado pela taxa Selic, dificulta investimentos e reduz a atratividade para empresas. A taxa, que sofreu corte recente de 0,25 ponto porcentual, permanece em patamar elevado para o contexto atual.
A Selic está em 14,25% ao ano, após o ajuste, mantendo um nível superior em relação ao observável em anos anteriores. A taxa real elevada também é apontada como fator que pressiona o endividamento de famílias e o investimento corporativo.
Dados recentes indicam ainda alta alavancagem financeira entre as famílias: pesquisa da CNC aponta endividamento elevado em maio de 2026, com 81,6% das famílias apresentando algum tipo de dívida. A inadimplência atinge 50,5% da população adulta, segundo a Serasa.
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