- Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, indo para 14,25% ao ano, o terceiro recuo do ano.
- Fed manteve a taxa em 3,50% a 3,75% pela quarta reunião seguida, com sinalizações de possível alta no segundo semestre.
- Em maio, o investidor estrangeiro foi suficiente vendedor líquido, saindo de R$ 14,9 bilhões, enquanto institucional comprou e pessoa física também aportou.
- A curva de juros mostrou abertura maior no médio prazo, com o vencimento de janeiro de 2029 subindo para 14,97% (variação de 115 pontos-base desde março).
- No cenário externo, há expectativa de alívio no petróleo com possível acordo entre EUA e Irã; o real ganhou fôlego com o cenário de juros alto e Fed está estável.
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, chegando a 14,25% ao ano, no terceiro corte do ano. O movimento ocorreu em meio a sinais de desaceleração da inflação, ainda que o mercado tenha ficado cauteloso quanto à duração do aperto monetário.
Simultaneamente, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% na reunião já anunciada, sem sinal claro de novos cortes neste momento. No terreno externo, circula a expectativa de acordo entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Golfo, o que pode reduzir a pressão sobre os combustíveis.
Cenário macro e respostas do mercado
A Associação DataBay aponta que o fluxo cambial foi marcado por volatilidade em maio, com o investidor estrangeiro saindo líquido pela primeira vez em 2026, em 14,9 bilhões de reais. O institucional doméstico comprou 13,3 bilhões, enquanto a Pessoa Física somou 5,8 bilhões.
A renda fixa recuou, com resgates líquidos de 9,4 bilhões em maio, interrompendo quatro meses de entradas. No ano, os fluxos acumulados ficam positiveis, mas o comportamento indica mudança de ritmo e cenário de maior cautela entre investidores.
Desempenho da curva de juros e leitura do mercado
Com a Selic a 14,25%, a curva de juros projeta níveis entre 14,4% e 15,0% até 2036, sugerindo que o mercado não espera um ciclo longo de cortes. O ponto de maior elevação fica em 2028-2029, próximo ao próximo mandato presidencial e ao debate fiscal.
A percepção é de que a queda da Selic pode não acompanhar a elevação dos prêmios de risco, sobretudo por incerteza fiscal. Assim, cada ponto-base de redução na ponta curta tende a ser compensado pela ponta longa, mantendo o tom de cautela.
Perspectivas e leitura dos participantes
Observa-se que a credibilidade do regime fiscal passa a impor limites a ganhos de ativos brasileiros, mesmo com cortes de juros. O cenário externo, com o Fed mantendo juros e o petróleo sob pressão moderada, oferece alívio parcial ao real, sem alterar a avaliação fundamental do risco brasileiro.
O mercado segue monitorando notícias sobre inflação, política fiscal e ações de policymakers. Em resumo, a Superquarta ampliou a divergência entre o que o Copom entrega na prática e o que o mercado precifica para o longo prazo.
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