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Gestores reclamam de dificuldade de acesso a ETFs em plataformas de investimentos

Gestores reclamam do acesso difícil a ETFs nas plataformas e da classificação inadequada de renda fixa como renda variável, limitando investimentos

Gestores reclamam que acesso a ETFs é difícil nas plataformas de investimentos — Foto: Getty Images
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  • ETFs ganham cada vez mais espaço, mas acesso nas plataformas de investimentos é difícil e há limite de valor por ordem, com códigos complexos que dificultam a busca pelos produtos.
  • Ainda representam menos de 1% do mercado de fundos, mas o volume investido subiu de R$ 12 bilhões em 2017 para R$ 109 bilhões neste ano.
  • Plataformas costumam classificar ETFs de renda fixa como investimentos de renda variável, o que complica a decisão do investidor; há cobrança de códigos parecidos com outros ativos.
  • Gestores defendem que ETFs deveriam estar em abas próprias e a classificação deveria considerar a carteira do ETF, não apenas onde ele é negociado.
  • Propostas de mudança passam por modelos de remuneração diferentes para assessores (taxa fixa anual) para incentivar a distribuição de ETFs, que hoje não geram rebates para as plataformas.

Os gestores ouvidos pelo Valor Investe apontam dificuldade de acesso aos ETFs nas plataformas de investimentos. Mesmo com a popularização, eles dizem que o caminho para investir nesses fundos é pouco ágil e que há limites de valor por ordem.

Entre os relatos, a versão recorrente é a classificação inadequada de ETFs de renda fixa como renda variável. Além disso, a busca pelos códigos corretos nas plataformas costuma exigir digitação completa, o que dificulta a localização do produto.

Dados do mercado indicam que, embora os ETFs representem menos de 1% do total de fundos, o volume investido nesse tipo de aplicação saltou de 12 bilhões de reais em 2017 para 109 bilhões neste ano. A explicação oficial é a transparência, simplicidade e custo baixo.

Bruno Stein, da Galapagos Capital, afirma que as plataformas ainda não acomodaram adequadamente os ETFs de renda fixa, que costumam ficar em categorias diferentes das esperadas. Segundo ele, a estrutura atual favorece ETFs de renda variável.

A remuneração das plataformas também é citada. Produtos que não pagam rebates e não geram comissões para os assessores costumam ter menor prioridade na experiência do usuário, segundo Stein. A recomendação é que os ETFs recebam tratamento mais claro e acessível.

Para o spectrum de gestão, representantes da Investo defendem mudança no modelo de remuneração. A taxa fixa anual sobre o patrimônio do cliente pode tornar os ETFs mais difundidos, ao alinhar ganhos dos assessores com a ampla carteira do investidor.

Renato Nobile, da Buena Vista Capital, ressalta que, após 21 anos de ETFs no Brasil, o acesso ainda é limitado para pessoas físicas. Ele aponta que muitos sistemas dificultam a navegação, inclusive o Tesouro Direto, por não pagarem comissões competitivas.

Especialistas afirmam que a solução passa pela atualização dos sistemas das corretoras e da B3, além de uma classificação mais fiel do que compõe cada ETF. Do contrário, o investidor pode ter a carteira mal apresentada nos extratos.

O Valor Investe procurou entidades como Anbima, Ancord, B3 e as maiores plataformas XP e BTG, mas nenhum respondeu com posicionamento sobre o tema. A linha comum entre os participantes é a necessidade de tornar os ETFs mais visíveis e fáceis de usar.

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