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Greenspan previu 50% de chance de Brasil quebrar nos anos 1990

Greenspan estimou chance de 50/50 de o Brasil quebrar em 1998, antes da crise de 1999, alertando para contágio e dependência de apoio bancário

Alan Greenspan, o influente economista que conduziu a política monetária dos Estados Unidos, estimava em 50/50 chance do plano Real colapsar nos anos 1990
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  • Em novembro de 1998, Greenspan, presidente do Fed, disse aos colegas do Fomc que a situação do Brasil era arriscada e que manter o câmbio seria difícil, avaliando a chance de sucesso em cerca de 50/50.
  • Naquela época, o Real estava sob pressão, com reservas em queda, juros altos (entre 30% e 40% ao ano) e um pacote de ajuda do FMI em curso.
  • Greenspan apontou contradições estruturais na economia brasileira e a possibilidade de desvalorização do real caso os bancos não se posicionassem de forma coordenada.
  • A crise culminou em janeiro de 1999, quando o regime de câmbio foi abandonado e o real passou a flutuar, gerando desvalorização rápida e inflação, mas com possibilidade de recuperação econômica posterior.
  • O episódio ajudou a consolidar, em meados de 1999, o tripé macroeconômico brasileiro (metas de inflação, câmbio flutuante e disciplina fiscal) como base da política econômica.

Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve, foi alvo de avaliações de risco sobre o Brasil nos anos 1990. Em documentos do FOMC tornados públicos, o jornalismo aponta que ele chegou a estimar, em 1998, uma chance próximo de 50% de o Brasil enfrentar falência.

O cenário ocorria antes da crise de janeiro de 1999, quando o real desvalorizou e houve mudança para câmbio flutuante no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Transcrições citadas pelo UOL mostram o pessimismo do Fed diante de choques externos.

Naquele segundo semestre de 1998, o país enfrentava crise cambial, com o real preso a uma faixa de valorização e reservas em queda. Juros elevados, de 30% a 40% ao ano, acompanhavam um pacote do FMI para estabilizar a economia.

Em 17 de novembro de 1998, Greenspan afirmou ao FOMC que os bancos americanos não garantiam sozinhos o suporte ao Brasil. Ele descreveu um risco de reação em cadeia, caso apenas um banco participasse sem a adesão dos demais.

O presidente do Fed apontou contradição estrutural: juros altos para conter saques, sem evitar a queda de reservas, o que indicava que a matemática fiscal, por si só, não sustentava a estabilidade. Ele sugeria que a desvalorização era provável.

Segundo Greenspan, a probabilidade de as medidas alcançarem o objetivo ficava em torno de 50%, talvez um pouco abaixo. Ele explicou que a situação havia piorado semanas antes, mas melhorado para esse patamar.

Planalto, entre o ruim e o pior

Em 1998, o então presidente FHC também acompanhava a volatilidade do câmbio. Em seus Diários da Presidência, ele registrou pressão de aliados para ampliar recursos, ao mesmo tempo em que ponderava sobre flutuação cambial vs controle de câmbio.

A memória de 10 de setembro mostra divergência entre planos de liberalização de câmbio e controle de capitais. Países asiáticos já haviam vivido efeitos de choques; Indonésia enfrentou desvalorização e a Malásia adotou controle de capitais.

Sem contágio

A crise cambial de janeiro de 1999 confirmou parte das preocupações, com desvalorização rápida, inflação inicial e recessão menos severa que o previsto. O real perdeu mais de 40% no curto prazo, mas houve contenção da inflação após medidas.

Armínio Fraga chegou ao Banco Central, o aperto monetário e o acordo com o FMI ajudaram a estabilizar expectativas. O episódio levou ao regime de metas de inflação com câmbio flutuante, abrindo caminho para o tripé macroeconômico.

A reunião do FOMC de 2 e 3 de fevereiro de 1999 avaliou a crise com serenidade. Reconheceu que a manutenção do câmbio fixo falhou, prevendo retração econômica, mas apontou contágio limitado a outros emergentes e maior diferenciação de mercados. Greenspan, porém, focalizou a economia dos EUA.

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