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Indústria cobra tolerância zero à pirataria do próximo presidente

Indústria cobra tolerância zero à pirataria e apresenta perdas de R$ 435 bilhões ao Brasil, com impactos maiores para pequenas e médias empresas

Indústria quer que o próximo governo priorize o combate à pirataria e ao mercado ilegal. (Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil)
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  • A pirataria e o mercado ilegal causaram prejuízos estimados em R$ 435 bilhões no período 2024–2025, com maiores perdas proporcionais nas regiões Norte (2,4%) e Centro-Oeste (2,3%), segundo a FNCP.
  • Em média, as empresas perdem 0,6% da receita líquida de vendas devido ao comércio ilegal, com impacto maior para pequenas e médias empresas.
  • Os setores mais impactados incluem vestuário (R$ 87,3 bilhões) e bebidas (R$ 85,2 bilhões), seguidos por combustíveis, material esportivo e higiene pessoal, entre outros.
  • A CNI apresenta quatro eixos para combater a pirataria: malha fina aduaneira, combate a crimes ambientais, ingresso na OCDE e transparência no mercado de carbono.
  • Em evento em Brasília, a indústria entregará aos presidenciáveis o documento Construindo o Brasil 2050, que condiciona reformas à erradicação do mercado ilícito para fortalecer a indústria nacional.

Com prejuízos estimados em 435 bilhões de reais por ano, a pirataria e o mercado ilegal são apontados pela indústria como entraves à reindustrialização do Brasil. O tema ganha espaço na agenda eleitoral, com a Confederação Nacional da Indústria levando dados ao debate com pré-candidatos à Presidência.

A CNI aponta que o setor perde em média 0,6% da receita líquida devido ao comércio ilegal, impactando mais fortemente pequenas e médias empresas. Regiões Norte e Centro-Oeste apresentam as maiores perdas proporcionais, segundo estudo do FNCP.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, atribui o problema a fraudes aduaneiras no comércio internacional e a crimes ambientais no interior do país, criando um ambiente de negócios desfavorável a quem atua dentro da lei.

Impactos sobre preços e arrecadação

O mercado ilegal elevou o custo para consumidores ao deslocar a carga tributária e reduzir a arrecadação pública, com evasão estimada em 136 bilhões de reais. Parte das perdas é repassada aos preços praticados pelas empresas formais.

A indústria formal sente o efeito da concorrência desleal, além de gastos com segurança e compliance que encarecem os produtos. Segundo Silveira, combater a ilegalidade é essencial para reduzir o custo Brasil e ampliar a competitividade.

Principais frentes de risco

Entre as principais vulnerabilidades, o setor destaca:

  • roubo de carga no transporte, 32% das empresas afetadas;
  • não conformidade técnica de produtos, 29%;
  • roubo interno em instalações, 20%;
  • descaminho, subfaturamento e falsas declarações de origem, 15%.

As perdas se concentram nos setores de vestuário e bebidas, que lideram os prejuízos. Dados do FNCP apontam ainda impactos na inovação e no desenvolvimento tecnológico nacional.

Impactos por setor e perdas específicas

Entre os itens com maior dano financeiro, vestuário, bebidas alcoólicas e combustíveis aparecem no topo da lista com centenas de bilhões de reais perdidos. Outras áreas afetadas incluem material esportivo, higiene pessoal e defensivos agrícolas.

Dados do FNCP indicam que metade das indústrias afetadas relatam queda na receita bruta, e 30% registram redução de participação no mercado.

Propostas da CNI para enfrentar a pirataria

A CNI apresenta quatro eixos estratégicos para reverter o cenário, incluindo:

  • implementação de uma malha fina aduaneira para monitorar importações em tempo real;
  • fortalecimento das ações contra crimes ambientais e rastreabilidade da produção florestal;
  • ingresso do Brasil na OCDE como sinal de governança regulatória;
  • criação de um sistema nacional de MRV para o saneamento do mercado de carbono.

Presidenciáveis e agenda de propostas

A CNI realiza em Brasília, nesta segunda-feira, o encontro A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis. Pré-candidatos como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado participam de debates sobre desenvolvimento econômico.

O documento Construindo o Brasil 2050 detalha diretrizes para política industrial, inovação, infraestrutura, reforma tributária e segurança jurídica, condicionando reformas à erradicação do mercado ilegal. A entidade enfatiza que o fortalecimento da indústria depende de previsibilidade tributária e do estímulo à legalidade.

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