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Lagarde minimiza temores de inflação de segunda ordem

Lagarde afirma que o choque inflacionário é grande, mas não há indícios de desancoragem nem de efeitos de segunda ordem; BCE mantém ajuste monetário moderado

Lagarde diz, contudo, que “o choque é grande demais para ser ignorado sem comprometer nossa meta” — Foto: Goncalo Fonseca/Bloomberg
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  • Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, afirmou que o choque inflacionário na zona do euro é grande, mas não suficiente para elevar as expectativas de inflação no longo prazo nem gerar efeitos de segunda ordem.
  • O BCE já elevou as taxas de juros neste mês e investidores aguardam se haverá novas medidas para conter as pressões sobre os preços.
  • Lagarde disse que a situação atual representa o cenário intermediário de desvio não persistente, demandando ajuste monetário moderado.
  • Não há sinais de desancoragem das expectativas de inflação nem de efeitos de segunda ordem que justifiquem uma resposta mais firme neste momento.
  • A economia mantém investimentos estáveis, especialmente em inteligência artificial, e as famílias apresentam balanços fortes, ainda que os custos de energia continuem um desafio.

O choque inflacionário enfrentado pela zona do euro continua sendo grande o suficiente para não ser ignorado, mas não ao ponto de aumentar de forma persistente as expectativas de preços no longo prazo. Christine Lagarde, presidente do BCE, afirmou que ainda não há sinais claros de desancoragem das expectativas nem de efeitos de segunda ordem que justifiquem uma resposta de política monetária mais firme neste momento.

Em audiência perante o Parlamento Europeu, Lagarde disse que o cenário atual é o intermediário entre desvio de inflação temporário e desancoragem preocupante. O BCE elevou as taxas de juros recentemente após a inflação superar 3%, e investidores aguardam possíveis novas medidas para conter pressões inflacionárias.

A chefe do BCE destacou que, apesar do choque, o banco não deverá manter-se inerte. A comparação com o episódio de 2021/22 aponta um contexto distinto, com mercado de trabalho mais sólido, rendas maiores e desafios de oferta pós-pandemia. A instituição admite, porém, que salários podem responder a choques futuros.

Cenário econômico e atuação do BCE

Lagarde ressaltou que o BCE não é complacente. A formação de salários pode reagir a novos choques, dadas as experiências anteriores com inflação elevada. O BCE mantém o foco em evitar que as pressões inflacionárias se tornem mais persistentes, sem justificar uma resposta mais enérgica neste estágio.

No âmbito econômico, a presidente citou investimentos estáveis, incluindo projetos em inteligência artificial. As famílias mantêm balanços patrimoniais sólidos, o que oferece alguma proteção para a economia diante dos custos mais elevados de energia. A visão para o crescimento permanece incerta, com riscos de alta para a inflação e de queda para a atividade econômica.

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