- Governo Lula anunciou aproximadamente R$ 190 bilhões em benefícios diretos, conhecidos como “pacote de bondades”.
- Cerca de R$ 118 bilhões desse total estão fora do arcabouço fiscal, segundo estudo da CNN com base em pesquisa de Marcos Mendes para a XP Investimentos.
- Em torno de sessenta por cento dos gastos não entram na contabilidade oficial, o que pode permitir cumprir a meta fiscal sem reduzir os gastos efetivos.
- Itens como o programa Minha Casa Minha Vida e o Desenrola estariam entre os não contabilizados, ainda assim pesando na dívida pública.
- A curva de juros projetada pela B3 indica Selic de 14,22% ao fim de 2026, subindo para 14,70% em 2027, com persistência acima de 14% por até dez anos.
O governo Lula lançou um conjunto de medidas conhecido como o “pacote de bondades”, estimado em cerca de 190 bilhões de reais em benefícios diretos à população. O levantamento, realizado pela CNN com base em estudo do economista Marcos Mendes, aponta que aproximadamente 118 bilhões estão fora do arcabouço fiscal vigente.
Segundo a analista Lucinda Pinto, o estudo aponta que cerca de 60% dos gastos anunciados não entram na contabilidade do arcabouço. Essa prática permitiria cumprir a meta fiscal formal sem reduzir os gastos efetivos, o que pode aprofundar dúvidas sobre a credibilidade do regime de despesas.
As ações fora do arcabouço incluem, entre outros, aumentos de programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o Desenrola. Esses recursos, ainda assim, saem dos cofres públicos e elevam a dívida pública, segundo a analista.
A pesquisadora detalhou a curva de juros futura negociada na B3, que reflete expectativas sobre a Selic. Projeções indicam Selic acima de 14% até 2027, com leve recuo depois, mantendo-se acima de 14% por todo o período analisado.
Com isso, a confiança no arcabouço fiscal fica abalada, conforme a analista, pois a contabilidade alternativa dificulta avaliar a sustentabilidade das contas públicas. O cenário é ligado à percepção de descontrole fiscal.
O especialista Murilo Viana, que acompanha contas públicas, aponta que o quadro compromete a sustentabilidade a longo prazo. Ele cita déficits nominais elevados e juros elevados como fatores que aceleram o crescimento da dívida.
Lucinda ressalta que as taxas de juros projetadas vão além de números financeiros: influenciam decisões de investimento das empresas, inclusive na construção de novas fábricas, impactando a economia real.
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