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Natura transforma excedente de bioingredientes da Amazônia em negócio B2B

Natura transforma excedente de bioingredientes da Amazônia em startup B2B, conectando comunidades a indústrias externas e ampliando o uso dos insumos

Natura lança startup B2B criada para comercializar bioingredientes da Amazônia — Foto: Divulgação/Natura
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  • Natura lançou a Natura Ingredientes, startup B2B que comercializa bioingredientes da Amazônia para cosméticos, alimentos e, no futuro, farmacêuticas.
  • A empresa usa o excedente de produção das comunidades parceiras, estimado entre cinquenta e sessenta por cento da produção, para atender clientes externos.
  • Atualmente, a rede envolve 43 comunidades e mais de 11 mil famílias, contribuindo para a conservação de 2,2 milhões de hectares de floresta. Em 2025, 13,1% das matérias-primas da Natura têm origem na Amazônia; investimentos diretos nessas comunidades somaram R$ 62,39 milhões, alta de 29% frente ao período anterior.
  • O piloto já resultou em cerca de oito parcerias, com a venda de aproximadamente 20 toneladas de bioingredientes, incluindo mais de vinte espécies como castanha-do-pará, andiroba, tucumã e cupuaçu, entre outros.
  • A frente farmacêutica é considerada de longo prazo; há potencial para aplicação de alguns bioativos fora da cosmética, exigindo estudos, validação científica e regulações específicas.

Natura transforma excedente de bioingredientes da Amazônia em um novo negócio B2B. A startup Natura Ingredientes conecta a produção residual das cadeias amazônicas da empresa a indústrias de cosméticos, alimentos e, no futuro, farmacêuticas. A iniciativa nasce para ampliar o uso de insumos já produzidos, que hoje passam de uma demanda interna.

A operação usa a estrutura existente da Natura, incluindo logística, rastreabilidade, certificações e relacionamento com comunidades. A empresa atua como ponte entre produtores da região e compradores externos de insumos naturais e processados.

A Natura informa que o projeto nasceu de uma constatação: comunidades parceiras produzem mais do que a empresa compra. Segundo o vice-presidente de Novos Negócios, esse excedente pode chegar a 50% a 60% da produção, conforme a matéria-prima.

A startup foi criada no formato de Corporate Venture Building, aproveitando capacidades já instaladas pela Natura na Amazônia, principalmente via a marca Ekos. O objetivo é transformar esse volume residual em receita para terceiros.

Hoje, a Natura Ingredientes trabalha com 43 comunidades e mais de 11 mil famílias, em cadeias de biocomércio ético. Essas comunidades contribuem para a conservação de 2,2 milhões de hectares de floresta no Brasil.

Em 2025, 13,1% das matérias-primas da Natura tiveram origem na Amazônia. Os investimentos diretos nessas comunidades atingiram R$ 62,39 milhões, alta de 29% em relação ao período anterior.

A frente B2B já opera em fase piloto há cerca de seis meses. Já foram firmadas parcerias com empresas como a britânica Lush, no setor de cosméticos, e a brasileira Mahta, de alimentos. Ao todo, são cerca de oito acordos firmados e aproximadamente 20 toneladas de bioingredientes vendidas.

O portfólio inicial reúne mais de 20 espécies da sociobiodiversidade amazônica, entre óleos e manteigas como andiroba, tucumã, castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru. Também há ativos olfativos como priprioca e ishpink.

No setor de alimentos, operadores avaliam manteigas e óleos amazônicos como alternativas a insumos tradicionais, especialmente em contextos de escassez e variação de preço. O óleo de palma é citado como um possível substituto em determinadas aplicações.

Na linha de cosméticos, o potencial é maior, mas requer curadoria. Parte dos bioativos compõem diferenciais já usados pela Natura, o que demanda seleção para mercados externos. A empresa separa itens para venda externa daqueles mais ligados à estratégia interna.

A frente farmacêutica aparece como possibilidade futura. Alguns bioativos estudados podem ter aplicações além da cosmética, mas exigirão pesquisas, validação científica e adequação regulatória mais longas. O tucumã é citado como exemplo de ingrediente com potencial ampliado por novas tecnologias.

A Natura afirma que a abertura para terceiros não comprometerá o abastecimento interno, mantido por planejamento de safra, estudos técnicos e investimentos com comunidades. O objetivo é aumentar previsibilidade de demanda e melhorar o escoamento da produção local.

A operação deve também reduzir custos logísticos e aumentar a resiliência das cadeias amazônicas, ao oferecer maior canal de venda para o que hoje sobra. Empresas interessadas ganham acesso a bioingredientes rastreáveis com algum processamento.

Para José Manuel Silva, vice-presidente, a iniciativa representa um ganho para comunidades, para a cadeia de suprimentos da Natura e para potenciais clientes externos. A expectativa é de resultados mais estruturados nos próximos ciclos de divulgação da empresa.

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