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Nova fase na energia elétrica: armazenamento passa a ser foco, diz especialista

Leilão de armazenamento de energia pode reduzir tarifas para residenciais; indústria deve alcançar maturidade até 2030 e ampliar segurança do sistema

Foto: Reprodução/Rede Social
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  • O Brasil realizará o primeiro leilão de armazenamento de energia em baterias em duas etapas, nos dias 2 e 4 de dezembro, para fornecer potência ao SIN e armazenar energia para momentos de maior demanda.
  • O diretor-executivo da Absae afirma que, em cinco anos, o consumidor residencial poderá ter tarifas mais baratas, com o armazenamento alinhando geração e consumo.
  • A maturação do setor depende de sinalização econômica adequada, além do leilão, com avanços regulatórios já em curso pela Aneel e modelos de remuneração via leilão de reserva de capacidade.
  • O entorno geográfico tende a exigir baterias em grandes projetos no Nordeste e em Minas Gerais, enquanto clientes residenciais deverão instalar equipamentos na região Sudeste.
  • A expectativa é de que a indústria esteja bastante madura entre 2028 e 2030, com início da fabricação no Brasil e crescimento contínuo do setor elétrico.

O desafio na energia elétrica deixou de ser apenas gerar e distribuir. A aposta agora é armazenar energia em baterias para equilibrar oferta e demanda. A afirmação é do Fabio Lima, diretor-executivo da Absae, em conversa sobre o primeiro leilão de armazenamento no Brasil.

O leilão, voltado a contratar novos sistemas de armazenamento para fornecer potência ao SIN, está previsto para 2 e 4 de dezembro. A finalidade é armazenar energia e liberar nos picos de demanda, assegurando maior estabilidade ao sistema elétrico.

Segundo Lima, a maturação do setor vai além do leilão. Ele cita a necessidade de sinais econômicos positivos para o mercado e destaca que o armazenamento reduz desperdícios de geração de fontes renováveis, como solar e eólica, ao comparar com hidrelétricas.

Maturação regulatória e cenário internacional

A Absae participa do Energy Summit Global, que ocorre no Rio de Janeiro entre 23 e 25 de junho. O evento, em parceria com o Estadão, reúne milhares de participantes e empresas para debater inovação em energia e sustentabilidade.

Lima afirma que, globalmente, China, EUA e Chile ampliaram a geração renovável e adotaram o armazenamento para transferir energia entre horários de produção e consumo. O Brasil entra nesse estágio com regras já definidas pela Aneel e um modelo de remuneração pelo leilão de reserva de capacidade.

Benefícios esperados para consumidores e geração

O primeiro benefício será para o consumidor, com redução de encargos pagos para manter usinas termelétricas disponíveis nos picos. Baterias devem permitir usar energia barata em horários de baixa demanda, reduzindo o custo final da energia.

Investidores também ganham com novas fontes de receita, inclusive para geradores distribuídos. A tecnologia facilita que usinas solares e eólicas armazenem excedentes para atender picos sem desperdiçar energia.

Onde as baterias atuarão

Nos grandes projetos do leilão, a tendência é instalar baterias principalmente no Nordeste e em Minas Gerais, próximos às áreas com maior necessidade de estabilidade. As unidades instaladas por consumidores devem acompanhar a distribuição da demanda na região Sudeste.

A regulação avança, com o primeiro ciclo regulatório concluído e regras da Aneel em vigor. Entre 2028 e 2030, a expectativa é de uma indústria bem estabelecida e em crescimento, alinhada à expansão do setor elétrico.

Aspectos ambientais, segurança e vida útil

As baterias de armazenamento utilizam química similar à de veículos elétricos, com maior estabilidade estacionária. O impacto ambiental é considerado baixo, com reciclagem já existente e regras adequadas para descarte. A vida útil prevista gira em torno de 10 mil ciclos, chegando a quase 20 anos com uso adequado.

No mercado livre de energia, a adoção do armazenamento é vista como positiva, pois tarifas horárias devem trazer clareza sobre o custo real da energia ao longo do dia, incentivando investimentos no armazenamento.

Perspectivas para o consumo residencial

A implementação de tarifas horárias para consumidores de baixa tensão está em discussão pela Aneel, com sinalização de horários de maior oferta de energia. O armazenamento permitirá que residências com geração solar usem energia na madrugada ou em horários de pico, reduzindo a dependência da rede.

O estágio atual aponta para aplicação já em aplicações comerciais e industriais, com regulamentação prevista até 2028. Ressalta-se que, historicamente, o consumidor tende a responder rapidamente a inovações desse tipo.

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