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O futuro do en primeur dependerá da distribuição, não da redução de preços

Futuro do en primeur depende de controle da distribuição, não de queda de preço, afirma Max Lalondrelle, da Berry Bros. and Rudd

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  • O futuro do en primeur depende mais do controle da distribuição do que da redução de preços, segundo Max Lalondrelle, da Berry Bros. & Rudd.
  • Embora tenha sido uma campanha bem-sucedida em vendas, ele diz que ninguém acertou totalmente os preços e que vender em minutos não é mais comum.
  • Há queda de interesse e demanda, e só reduzir preços nem sempre aumenta as vendas; pode ser necessário mudar o modelo de distribuição.
  • Estão em debate diferentes abordagens em Bordeaux, incluindo maior exclusividade e parceria com canais específicos, para evitar dumping no mercado secundário.
  • Alguns châteaux estão reduzindo o grupo de negociants e fortalecendo relações exclusivas, buscando controlar melhor o estoque e o lançamento de vinhos en primeur.

O futuro do en primeur depende menos da queda de preços e mais de como se controla a distribuição, afirma Max Lalondrelle, diretor de compras de vinhos finos da Berry Bros. & Rudd, em entrevista exclusiva. Diz ele que, apesar de o setor ter tido um desempenho positivo em 2024, não houve uma precificação que tenha esgotado as marcas em minutos como no passado.

Lalondrelle avalia que a pergunta crucial não é apenas o preço, mas se a demanda realmente aumenta com cortes. Ele admite que o mercado não reagiu de forma uniforme e que alguns produtores não conseguiram vender todo o vinho en primeur, mesmo com condições favoráveis. O consenso é de que é necessário repensar o modelo de distribuição.

O executivo defende que a enprimeur precisa de mudanças estruturais, inclusive na forma de abrir canais de venda. Segundo ele, algumas propriedades já ampliam a exclusividade, escolhendo parcerias estratégicas para reduzir o papel de intermediários. Ele cita casos de châteaux que passaram a trabalhar com poucos negociantes autorizados.

Entre as estratégias em pauta está reduzir o número de negociantes e manter controle sobre o escoamento de estoque. Em Saint-Émilion e Haut-Medoc, por exemplo, algumas propriedades se conectam a apenas um parceiro comercial, o que facilita gerenciar o lançamento inicial e o estoque físico futuro, reduzindo riscos de dumping no mercado secundário.

Ajustes de modelo de distribuição

Lalondrelle aponta que, para manter o ritmo de vendas, produtores precisam repensar o papel do distribuidor e o apelo ao consumidor. A ideia é alinhar exclusividade e valor para o cliente, de modo que haja incentivo à compra rápida sem depender apenas da redução de preço.

Ele cita o exemplo de Château Larcis-Ducasse, que passou a trabalhar com exclusividade no Reino Unido e, segundo o executivo, transformou a participação de mercado, vendendo volumes significativos com parceria exclusiva. A melhoria na relação custo-benefício é associada à fidelização de clientes.

Outra parte da discussão envolve a necessidade de investimentos para ampliar entregas rápidas e garantir disponibilidade de estoque. Mesmo com menos vinho en primeur lançado anualmente, há demanda por liquidez de estoque, o que exige capital e planejamento financeiro robustos, de acordo com Lalondrelle.

O jornalismo acompanha o desenrolar do debate na região de Bordeaux, onde proprietários estudam diferentes modelos para manter a liquidez, a qualidade e a atratividade de suas saídas comerciais. O objetivo é sustentar as vendas sem depender exclusivamente de cortes de preço.

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