- Rumo anunciou troca de comando, com Pedro Palma deixando o cargo de diretor-presidente.
- Daniel Rockenbach assume o posto interinamente; ele era atual diretor da Malha Sul e faz parte da gestão há quinze anos.
- A mudança ocorre dois dias após Palma entregar o primeiro trecho da Ferrovia de Mato Grosso, projeto de R$ 5 bilhões.
- A Ferrovia de Mato Grosso integra o programa Novo PAC e terá, ao todo, mais de setecentos quilômetros, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde com ramal a Cuiabá.
- A Cosan, controladora da Rumo, está negociando a venda de parte da companhia para levantar recursos.
A Rumo, maior operadora independente de ferrovias do Brasil, anunciou hoje a troca de comando após entregar a primeira etapa da Ferrovia de Mato Grosso, projeto de R$ 5 bilhões. Pedro Palma deixa o cargo de diretor-presidente. A substituição é interina e não teve explicação divulgada.
Palma assumiu a gestão em abril deste ano, com mandato até agosto de 2028. Daniel Rockenbach, atual diretor-presidente da Malha Sul, assume interinamente a presidência, após 15 anos na empresa.
A Rumo é controlada pela Cosan, resultante da fusão entre Rumo Logística e ALL. A companhia opera 13,5 mil quilômetros de trilhos e atende quatro dos principais portos do país, com foco em exportação de grãos.
Progresso da Ferrovia de Mato Grosso
A entrega da primeira fase da FMT ocorreu no último fim de semana, incluindo um trecho de 162 quilômetros e um novo terminal rodoferroviário na BR-070, em Dom Aquino (MT). A infraestrutura poderá movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.
A FMT integra o programa Novo PAC do Governo Federal, com modelo de expansão baseado em autorização estadual e investimento privado. Quando concluída, terá mais de 700 quilômetros entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, com ramal para Cuiabá.
Investimentos, recuperação financeira e reação do mercado
O terminal da BR-070 ocupa 200 hectares, com capacidade para descarregar até 35 caminhões por hora, carregar até 16 vagões por hora e armazenar 42 mil toneladas de grãos, além de estacionamento para 250 caminhões.
No primeiro trimestre de 2026, a Rumo investiu R$ 1,8 bilhão, mantendo o ritmo anual. A empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 266 milhões, alta de 41,1% ante o mesmo período de 2025.
A receita líquida somou R$ 3,2 bilhões, alta de 10,6% na comparação anual, mas o resultado financeiro ficou negativo em R$ 846 milhões, com piora de 10,2%. As ações da Rumo avançaram cerca de 1,5% nesta segunda-feira, enquanto a Cosan subiu ~3%.
Analistas destacam que a experiência de Rockenbach no setor pode fortalecer a estratégia da empresa. A Cosan trabalha na venda de parte da Rumo para captar recursos e capitalizar os negócios da holding.
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