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Soja vira biocombustível com protagonismo que antes era da China

Soja brasileira ganha fôlego doméstico com biodiesel, SAF e HVO; produção continua crescendo, reduzindo dependência da China e estimulando novas esmagadoras

Grãos e vagens de soja com bomba de biodiesel e dólares
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  • O economista Fabio Meneghin diz que nos próximos dez anos quase oitenta por cento do crescimento da demanda de soja virá do mercado doméstico, não externo.
  • A safra 2025/26 é prevista em 180,3 milhões de toneladas, recorde no país, segundo a Conab; em 2024/25 foram 171,47 milhões.
  • Em 2025 o Brasil faturou US$ 43,5 bilhões com a exportação de 108,2 milhões de toneladas; a China comprou 82,9 milhões de toneladas, movimentando US$ 33,5 bilhões.
  • A combinação de biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde (HVO) cria demanda doméstica para o óleo de soja, com biodiesel passando de 11 bilhões de litros em 2026 para cerca de 19 bilhões na próxima década.
  • A expansão não é só de produção: estima-se que o país permaneça acrescentando entre cinco e seis milhões de toneladas por ano, com cerca de 65 milhões destinadas ao mercado interno; haverá necessidade de ampliar esmagadoras e infraestrutura, e o debate é sobre qual cadeia de SAF vai captar os investimentos.

A China foi durante décadas o principal motor da soja brasileira, puxando a expansão com consumo, renda e importação de proteína vegetal. O cenário está mudando, conforme especialistas apontam o avanço de demanda interna e de biocombustíveis no curto prazo.

Fazendo um recorte para os próximos anos, a safra 2025/26 deve bater recorde com 180,3 milhões de toneladas, segundo a Conab. Em 2024/25 foram 171,47 milhões. Ainda assim, grande parte da produção continua destinada ao mercado externo.

Em 2025, o Brasil atingiu faturamento de US$ 43,5 bilhões com a exportação de 108,2 milhões de toneladas de soja, alta histórica. A China permaneceu como principal compradora, importando 82,9 milhões de toneladas e movimentando US$ 33,5 bilhões.

Mudança de eixo na demanda

Segundo Fabio Meneghin, economista e agrônomo da Veeries, a demanda doméstica tende a responder por quase 80% do crescimento do cultivo nos próximos 10 anos. Isso marca a virada para biocombustíveis como motor de consumo interno.

A mistura de biodiesel com 20% de participação obrigatória, aliados ao avanço de SAF e HVO, cria uma nova linha de consumo para o óleo de soja. Pela projeção, a produção de biodiesel pode passar de 11 bilhões de litros em 2026 para cerca de 19 bilhões na década.

Desafios logísticos e de valor agregado

A mudança não implica queda de produção, mas desloca parte do volume para uso interno. Espera-se crescimento anual de 5 a 6 milhões de toneladas de soja, resultando em 70 a 80 milhões de toneladas adicionais em 10 anos. Parte desse volume será processada em esmagadoras nacionais.

Essa tendência exige investimentos em plantas industriais para aumentar a capacidade de esmagamento e atender aos combustíveis renováveis. O resultado é maior produção de óleo, com maior oferta de farelo no exterior.

Perspectivas para o SAF

Projetos de SAF avançam em diversas regiões, com testes no Rio Grande do Sul, SP, RJ, Bahia e Amazonas, além de investimentos em biodiesel no Mato Grosso, Paraná e RS. O grande ponto é a viabilidade de exportação de SAF versus matéria-prima.

Estudos recentes indicam demanda mundial de SAF acima de 15 milhões de toneladas em 2030 e quase 40 milhões em 2035. A indústria destaca a dependência de matéria-prima para a viabilização, principalmente via HEFA com soja e óleo, e ATJ em desenvolvimento.

Brasil em posição estratégica

O Brasil detém matéria-prima abundante para as rotas HEFA e ATJ, sem depender de importações. Enquanto EUA e Europa discutem ampliar oferta de insumos, o Brasil avalia qual cadeia capturará o investimento inicial para o SAF, mantendo a soja como polo de produção.

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