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Tesouro cancela leilão de títulos; mercado vê estratégia para não elevar taxas

Tesouro cancela leilão de NTN-B para evitar referendar taxas elevadas em meio à tensão na curva de juros

Cenário está se complicando, diz Silvio Campos Neto
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  • O Tesouro Nacional cancelou o leilão de venda de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) previsto para terça-feira, 23, para não referendar taxas excessivas em um momento de estresse na curva de juros.
  • A medida ocorre em meio a altas recentes nas taxas exigidas pelos investidores, influenciadas pela incerteza fiscal interna e pelo ambiente externo, após sinais mais firmes do Federal Reserve.
  • Especialistas avaliam que a decisão busca preservar o custo de financiamento da dívida pública, evitando emissões em condições desfavoráveis.
  • Na manhã de hoje, o Tesouro IPCA+ 2032 chegou a 8,56% de juro real ao ano, o maior nível desde o início da negociação, com 2040 em 7,54% e 2050 em 7,18%; no fechamento, houve recuo para 8,45%, 7,48% e 7,15%, respectivamente.
  • Economistas destacam que, em março, o Tesouro já havia cancelado parte dos leilões diante da abertura abrupta da curva de juros, adotando uma lógica semelhante para evitar altas estruturais no financiamento.

O Tesouro Nacional anunciou o cancelamento do leilão tradicional de NTN-B, títulos atrelados à inflação, previsto para esta terça-feira (23). A decisão ocorre em meio a um cenário de incerteza fiscal e pressão externa sobre as taxas de juros.

Especialistas afirmam que a medida busca evitar referendar taxas excessivamente altas em um momento de estresse na curva de juros. O objetivo é preservar o custo de financiamento da dívida pública e evitar emissões em condições desfavoráveis para o mercado.

A decisão foi comunicada na manhã desta segunda-feira, dia 22. O ambiente interno permanece conturbado, com sinais de endurecimento da política monetária nos EUA impactando o comportamento de investidores brasileiros.

Mudanças na curva e reação do mercado

O movimento ocorre após o desempenho recente das taxas exigidas pelos investidores. O cenário aponta para maior custo de captação para o governo, diante de volatilidade na curva de juros.

Na prática, o Tesouro tem monitorado o fluxo de demanda e mantido cautela diante de condições de mercado que elevam o retorno real exigido para prazos médios e longos.

Dados de mercado na manhã de hoje

Perto das 10h30, o Tesouro IPCA+ 2032 chegou a render 8,56% de juro real ao ano, atingindo o maior nível desde o início da negociação do papel. Vencimentos em 2040 e 2050 operaram próximo de 7,5% e 7,2% de retorno real, respectivamente.

Já no fechamento, as taxas recuaram parcialmente: IPCA+ 2032 ficou em 8,45% ao ano, 2040 em 7,48% e 2050 em 7,15%.

Contexto e leituras

A alta das taxas vem sendo alimentada pelacombinação de fatores internos e externos, incluindo a deterioração da perspectiva fiscal e sinalizações mais duras do Federal Reserve para conter a inflação. A percepção do mercado é de que o custo da dívida tende a permanecer elevado nos próximos meses.

Especialistas ressaltam que, diante desse ambiente, o Tesouro pode adotar medidas adicionais de ajuste de oferta para manter o equilíbrio entre financiamento público e atratividade dos títulos.

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