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Análise aponta saída para Digimais similar à do Panamericano

PF deflagra operação contra o Digimais, complicando possível acordo com o BTG Pactual, que depende do aval do FGC para salvar o banco de Edir Macedo

O bispo Edir Macedo — Foto: Bruno Miranda/Folhapress
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  • A Polícia Federal abriu operação contra fraudes no sistema financeiro que envolve o Digimais, banco de Edir Macedo, proprietário da TV Record e da Igreja Universal.
  • O BTG Pactual já tinha feito acordo preliminar para comprar o Digimais, mas a operação depende de condições prévias, incluindo diligência sobre o balanço e o empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
  • O FGC vem exigindo uma série de documentos de ambas as partes e ainda não há confirmação de quando o empréstimo seria liberado, tornando a negociação incerta.
  • O Digimais apresentou lucro de 31,281 milhões de reais em 2025, com Basileia projetada de 13,49%, mas parte do lucro decorreu da venda de cotas de fundo com pareceres de auditoria com ressalva.
  • A possível venda ao BTG poderia evitar um rombo para o FGC e reduzir o desgaste para o Banco Central, mas continua dependente de fatores externos e de influência política envolvendo Edir Macedo.

Em novembro de 2010, o Banco Panamericano, controlado por Silvio Santos, foi alvo de denúncias de fraudes contábeis. A intervenção envolveu empréstimos do FGC e apoio da Caixa para salvar a instituição. Dez anos depois, outra instituição ligada a um dono de emissora de TV volta ao centro de controvérsias financeiras.

O Digimais, banco ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e à Record TV, volta a ser alvo de investigações. A PF realizou operação hoje para investigar fraudes no sistema financeiro e bloqueou bens ligados ao Digimais, em ação que aumenta a tensão sobre a instituição e seus controladores.

A operação ocorre em meio a negociações de venda. O BTG Pactual tem acordo preliminar para comprar o Digimais, anunciado em abril, sujeito a diligência contábil e à aprovação do FGC. A possibilidade de aporte depende de condições prévias e de avaliação de riscos.

O BTG já atuou, no passado, como comprador de bancos falidos e credores de créditos podres. Em 2013, adquiriu o Bamerindus; em 2024, comprou o Nacional. A iniciativa do BTG depende de apoio regulatório e de uma avaliação detalhada do balanço do Digimais.

Do lado do Digimais, o balanço de 2025 indica lucro de cerca de 31 milhões de reais, com índice de Basileia estimado em 13,49% após um aumento de capital de 250 milhões de reais autorizado pelo BC. A gestão atribui o resultado a uma venda de cotas do fundo Hermon à controladora BA Empreendimentos.

A auditoria da CLA Brasil emitiu parecer com ressalvas sobre a operação de venda de ativos do Digimais ao grupo controlador, destacando que a transação pode não refletir condições de mercado usuais e depende de aportes dos controladores. A nota reforça complexidade contábil da operação.

A posição de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário da Record, é relevante para o cenário. A influência dele no meio político e midiático levanta questões sobre o impacto de uma intervenção no Digimais durante o período eleitoral.

A investigação e as operações da PF não indicam, por si, o fechamento do negócio com o BTG. No entanto, o andamento das diligências, a necessidade de avaliações regulatórias e a eventual liberação de recursos do FGC podem atrasar ou modificar o acordo.

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