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Assaí paga R$7 milhões em juros diários, diz CEO

Em meio à Selic elevada, Assaí paga cerca de R$ 7 milhões por dia em juros, freando a expansão após a aquisição do Extra

Belmiro Gomes, CEO do Assaí: ‘Se fosse hoje, eu compraria o Extra novamente, mas talvez tivesse negociado de forma diferente’ (Matheus Silva /Exame)
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  • Em 2021, o Assaí desembolsou cerca de R$ 7 bilhões para adquirir e reformar 66 pontos do Extra, visando acelerar a presença em centros urbanos e alcançar clientes de renda mais alta.
  • Hoje, a empresa paga aproximadamente R$ 7 milhões por dia em despesas financeiras, totalizando em torno de R$ 2,3 bilhões no ano.
  • Mesmo com esse custo, o Assaí reduziu a dívida líquida em R$ 1,2 bilhão no último ano, mostrando geração de caixa.
  • A expansão ficou mais lenta: o plano de abrir cerca de 15 lojas por ano foi substituído pela meta de cinco novas lojas no estado de São Paulo neste ano, para preservar caixa e reduzir dívida.
  • Além disso, seguem novas frentes de crescimento — farmácias, marcas próprias, serviços financeiros, parcerias com iFood e Mercado Livre e entrada em postos de combustíveis — com Belmiro Gomes dizendo que compraria o Extra novamente, mas hoje negociaria de forma diferente, principalmente em relação à taxa de juros.

O Assaí anunciou que hoje enfrenta despesas financeiras de cerca de 7 milhões de reais por dia, resultado de juros elevados. A cifra soma-se ao montante anual de aproximadamente 2,3 bilhões de reais. A explicação vem do próprio CEO, Belmiro Gomes, em entrevista à EXAME.

O executivo releva que a operação de compra de 66 pontos do Extra, realizada em 2021 com o objetivo de acelerar a presença em regiões centrais, gerou mudanças estratégicas profundas. O objetivo era alcançar clientes de renda mais alta e ampliar participação de mercado.

A aquisição revelou-se indispensável diante de dificuldades de obtenção de terrenos estratégicos nas grandes metrópoles. Segundo Belmiro, alguns pontos são difíceis de replicar por questões imobiliárias e de licenciamento.

Ainda que as contas sejam desafiadoras, o CEO afirma não se arrepender da operação. Em análise, a compra foi conveniente, desde que a correção de juros tivesse sido prevista de forma diferente.

A prática de elevar o custo financeiro obrigou o grupo a desacelerar o ritmo de expansão. O plano inicial de 15 lojas por ano passou a prever cinco novas unidades apenas, todas no estado de São Paulo.

Mesmo com a menor velocidade de investimento, o Assaí mantém ações de diversificação. Farmácias, marcas próprias, serviços financeiros, parcerias com iFood e Mercado Livre, além de entrada em postos de combustíveis, estão na pauta.

Belmiro ressalta que o cenário macroeconômico mudou desde 2021, quando a taxa Selic era prevista para ficar em patamares menores. Hoje, a curva de juros impacta tanto a empresa quanto a sociedade.

Ao longo dos anos, a gestão da companhia cresceu de 3 bilhões para quase 85 bilhões de reais, com cerca de 90 mil funcionários e 40 milhões de clientes mensais. O executivo mantém a visão de longo prazo para os ativos.

A visão é de que a dívida ficará para trás ao longo do tempo, com as decisões estratégicas mantidas mesmo diante de incertezas. O caminho futuro envolve transformações estruturais e continuidade de investimentos em novas frentes.

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