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Ata do Copom não sinaliza próximos passos da Selic

Ata do Copom mantém cautela e não sinaliza próximos passos da Selic, diante da piora da inflação e das incertezas globais com a guerra no Oriente Médio

A sede do Banco Central, em Brasília (Agência Estado/VEJA)
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  • Copom reduziu a Selic de 14,50% ao ano para 14,25% ao ano na reunião da semana passada, mantendo cautela diante do cenário inflacionário.
  • Ata aponta que o BC evitou mudanças bruscas na trajetória dos juros para reduzir volatilidade na economia e nos mercados.
  • A inflação piorou desde a reunião anterior, com dados do IPCA e expectativas para 2026 a 2028 apontando deterioração; inflação já opera acima da meta.
  • O documento ressalta desancoragem das expectativas de inflação, o que justificaria manter política monetária restritiva por mais tempo.
  • No âmbito externo, a guerra no Oriente Médio elevou incertezas e impactos potenciais de El Niño sobre alimentos e energia ainda são incertos; próximas decisões dependem da evolução do cenário.

O Copom decidiu manter cautela após reduzir a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano na reunião da semana passada. A ata divulgada nesta terça-feira detalha a preferência por evitar movimentos bruscos na trajetória dos juros, para não aumentar a volatilidade econômica.

Segundo o documento, foram avaliados cenários alternativos que apontariam para a inflação dentro da meta no horizonte relevante, mas exigiriam mudanças abruptas e amplas na taxa básica por vários trimestres.

Por isso, o BC optou por uma trajetória mais alinhada às expectativas do mercado e à precificação de ativos, visando reduzir oscilações na economia e favorecer a convergência da inflação para a meta no primeiro trimestre de 2028.

A ata aponta piora do cenário inflacionário desde a reunião anterior. Dados do IPCA e perspectivas para 2026, 2027 e 2028 apresentam deterioração, com o índice já acima do teto da meta.

Além disso, o Copom ressalta desancoragem das expectativas de inflação. Quando agentes projetam inflação persistentemente acima da meta, a política monetária precisa permanecer restritiva por mais tempo.

No âmbito externo, a guerra no Oriente Médio elevou as incertezas. Impactos sobre petróleo e commodities já são observados, e ainda não há saldo definitivo sobre efeitos futuros e sobre o fenômeno El Niño, que pode afetar alimentos e energia.

Diante desse cenário, o Copom não sinalizou próximos passos da política monetária. A ata diz que a magnitude do ciclo de calibração da Selic dependerá da evolução do cenário e de novos choques de oferta.

O documento também reforça a necessidade de previsibilidade na política fiscal. Disciplina orçamentária e reformas estruturais ajudam a reduzir o prêmio de risco e facilitam a convergência da inflação à meta, segundo o BC.

A ata enfatiza ainda que políticas fiscal e monetária devem atuar de forma coordenada. Não houve indicação de mudanças imediatas na comunicação sobre a trajetória da Selic.

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