- O Copom divulgou a ata da última reunião, informando a redução da taxa Selic, que está em 14,25% ao ano.
- A ata aponta deterioração do cenário de inflação, mantendo a necessidade de política monetária contracionista por um período prolongado.
- Há incerteza sobre os impactos da guerra na economia, com o petróleo já refletindo na inflação.
- Medidas de estímulo fiscal adotadas desde o início de 2026 são vistas pelo BC como estímulo ao consumo, pressionando a inflação.
- Em cenários simulados, manter juros em 14,5% ou mais atrasaria a meta de inflação para 2028, levando o BC a cortar juros e deixar a porta aberta para a próxima reunião em 45 dias.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira a ata da última reunião, confirmando a decisão de reduzir a Selic para 14,25% ao ano. O documento afirma, no entanto, que o cenário atual mantém a necessidade de juros elevados por mais tempo.
Analista Gabriel Monteiro, em Bastidores CNN, destacou três pontos da ata. Primeiro, a deterioração da inflação desde a reunião anterior, que sustenta uma política monetária contracionista.
Segundo, a incerteza sobre os impactos da guerra e seus efeitos já materiais na economia, especialmente no preço do petróleo. Terceiro, os impactos da política fiscal sobre a pressão inflacionária, com medidas de estímulo associadas ao clima eleitoral de 2026.
Pontos-chave da ata
De acordo com o documento, o BC aponta que o petróleo em alta eleva o custo de itens importados e pressiona a inflação, com efeitos ainda incertos sobre a continuidade dessas pressões.
A ata cita estímulos fiscais recentes, como reajustes de programas sociais, isenções e linhas de crédito, interpretados pelo BC como estímulo ao consumo e, por consequência, aquecimento da atividade.
O BC também analisou cenários: manter juros em 14,5% ou acima dificultaria o cumprimento da meta de inflação de 3% apenas em 2028. O entendimento é evitar inflação persistente acima da meta, mantendo margem para ajustes futuros.
A decisão de reduzir a Selic, mantendo abertura para a próxima reunião em 45 dias, visa equilibrar o objetivo de inflação com a necessidade de não travar o crescimento.
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