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Bolsa dos EUA frente ao crescimento de China e Índia é tema de análise

Mercados americanos sobem em valorizações enquanto o eixo econômico global migra para o leste, sugerindo descompasso entre PIB e ações dos EUA

Foto: Timothy A. Clary/AFP/Getty Images/Project Syndicate
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  • O centro de gravidade do PIB global migra para o leste, com China e Índia superando previsões e compensando o desempenho abaixo do esperado de Brasil, Rússia e África do Sul.
  • No mercado de ações, os EUA permanecem concentrando a valorização global, criando descompasso com o desempenho da economia real.
  • China e Índia também superaram as expectativas de PIB per capita, fortalecendo seu papel entre as economias emergentes.
  • A valorização das ações norte‑americanas está em cerca de US$ 77 bilhões, correspondendo a quase metade da valorização mundial, mesmo com o PIB não trazendo surpresas positivas.
  • A participação global de ações mudou: China em cerca de 10%, Índia 5% e BRICS somados em cerca de 20%; os EUA chegavam a 50% em 1980, mas o contexto atual é diferente com avanças de outros mercados.

No mês passado, Gemma Cheng’er Deng, do King’s College London, e uma equipe lançaram o BRICS+ Thinking, plataforma política sem fins lucrativos para soluções coletivas em grandes desafios globais. A iniciativa destaca a mudança do centro de gravidade do PIB para o leste.

Gavyn Davies, ex- Gold man Sachs, apresentou uma análise numérica sobre o desempenho das economias dos BRICS desde a criação da sigla. China e Índia, segundo o estudo, superaram amplamente as projeções originais.

A conclusão principal aponta que China e Índia estimularam o crescimento global de forma maior que o esperado, compensando obstáculos de Brasil, Rússia e África do Sul, que ficaram aquém das projeções. O PIB per capita também surpreendeu positivamente nesses dois países.

O estudo também aponta que, mesmo diante de resultados fracos no núcleo das economias desenvolvidas, as previsões originais de 25 anos atrás não se confirmaram para o desempenho global. Estados Unidos, Europa e Japão ficaram aquém de algumas expectativas.

Davies usa um mapa para mostrar o deslocamento do centro de gravidade econômica mundial, que estaria próximo ao oeste do Paquistão hoje e pode alcançar a fronteira da China até 2040. O raciocínio sustenta o movimento constante para o leste desde os anos 1980.

Ao discutir esse mapa com pesquisadores, surge um choque entre a visão geoeconômica e o desempenho do mercado de ações. Um questionamento central é se a valorização de ações reflete o PIB real, especialmente nos EUA neste milênio.

O texto ressalta ainda que o mercado acionário norte-americano representa uma fatia relevante da valorização global, com cerca de metade do total, apesar de o PIB dos EUA responder por cerca de 25% da economia mundial. A diferença gera debates sobre futuras trajetórias.

Calcula-se que China e Índia, juntas, hoje respondam por cerca de 20% da valorização global, bem acima de 10% projetado no passado, enquanto a participação de outras regiões varia. A China, porém, mantém uma capitalização de mercado ainda abaixo de seu peso no PIB global.

Pergunta-se se o histórico japonês, que viu a capitalização de mercado chegar a 45% do total mundial perto de 1990, pode sinalizar caminhos para os próximos anos. Com IPOs marcantes no setor de IA, a referência serve para avaliar riscos e oportunidades no curto prazo.

Direitos autorais: Project Syndicate, 2026.

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