- Caminhões movidos a gás somam pouco mais de 2.500 veículos em circulação no Brasil, cerca de 0,1% da frota de caminhões pesados, estimada em 2,24 milhões.
- O avanço ocorre com expansão da infraestrutura de abastecimento e criação de corredores logísticos para operações de longa distância.
- GNV, GNL e biometano são usados em caminhões a gás, com o biometano apresentando características quase idênticas ao gás natural, permitindo uso na mesma frota e infraestrutura.
- Desafios persistem: falta de postos de GNV preparados para veículos pesados; projetos como Corredores Sustentáveis conectam estados e portos, enquanto novas concessões estudam obrigatoriedade de postos ao longo das rodovias.
- Exemplo de expansão: projeto GreenTech Logística Integrada planeja 60 caminhões a GNL em 2026, chegando a 2 mil veículos em 24 meses, com investimento de cerca de R$ 8 bilhões em dez anos.
- No Maranhão, a Brado Logística opera com GNL entre São Luís e Davinópolis, com 81 veículos homologados e rota de cerca de 2,7 mil quilômetros, integrando rodoviário e ferroviário.
Os caminhões movidos a gás ganham espaço no transporte de cargas brasileiro, impulsionados pela busca por alternativas ao diesel e por metas de descarbonização. Hoje, passam de 2.500 veículos em circulação, o que representa cerca de 0,1% da frota total de caminhões pesados, estimada em 2,24 milhões.
Os números vêm do GNPW Group e do Sindipeças. O avanço ocorre junto à expansão da infraestrutura de abastecimento e à criação de corredores logísticos dedicados ao transporte de carga pesada, considerados essenciais para operações de longa distância.
Diferentes combustíveis, mesmos motores
GNV, GNL e biometano aparecem em conjunto nas discussões sobre descarbonização, mas não são idênticos. O GNV é gás natural comprimido usado em veículos leves e parte dos caminhões a gás. Já o GNL é o gás natural resfriado, com maior densidade energética, adequado a viagens longas.
O biometano é combustível renovável obtido a partir de purificação do biogás de resíduos. Segundo o GNPW Group, suas propriedades são próximas às do gás natural, permitindo uso nos mesmos motores e na mesma infraestrutura de abastecimento.
Infraestrutura: o maior entrave
Mesmo com o crescimento da frota, a disponibilidade de postos de abastecimento ainda limita a expansão. A Abegás aponta cerca de 1,7 mil pontos de GNV no Brasil, concentrados em áreas urbanas e nem todos prontos para caminhões pesados.
Para contornar esse gargalo, projetos de corredores de abastecimento têm sido priorizados. No Paraná, o Corredores Sustentáveis já reúne 13 postos estratégicos que conectam São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e o Porto de Paranaguá. O tema também entra nas discussões sobre novas concessões rodoviárias.
Iniciativas privadas ganham escala
Grupos privados anunciam investimentos para ampliar a rede. O Projeto GreenTech Logística Integrada envolve a Nimofast, Edge e Green Cargo, com 60 caminhões movidos a GNL já em 2026, expansão para 160 veículos no início de 2027 e meta de 2 mil caminhões em 24 meses. O plano envolve cerca de R$ 8 bilhões em dez anos, incluindo aquisição de veículos, combustível e operação.
Maranhão avança com rota de GNL
Na prática, o estado do Maranhão já recebe operações com GNL. A Brado Logística, em parceria com a Virtu GNL, utiliza caminhões abastecidos com GNL entre São Luís e Davinópolis. A rota já movimentou mais de 1,3 mil toneladas e tem 81 veículos homologados.
A operação é multimodal: após o trecho rodoviário, as cargas são transportadas por ferrovias até Sumaré (SP), totalizando cerca de 2,7 mil quilômetros. Dados indicam redução de emissões de CO2 em relação ao diesel, conforme estimativas das empresas.
Panorama do mercado
Apesar das iniciativas, o mercado de caminhões a gás continua pequeno, porém com sinais de consolidação. Projetos de maior escala, rotas definidas e infraestrutura dedicada indicam uma mudança gradual do estágio experimental para operações comerciais em larga escala. O ritmo dependerá da evolução da infraestrutura para atender a demanda.
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