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Copom discute trajetórias de juros diante da piora da inflação, diz ata

Ata do Copom aponta inflação acima da meta com incerteza elevada; avalia trajetórias de juros e sinaliza ajuste da calibração conforme evolução do cenário

Copom afirmou que decisão de reduzir Selic para 14,25% é compatível com estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta
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  • Copom indicou que o cenário inflacionário piorou, com desancoragem de expectativas e IPCA acima da meta, puxado pela guerra no Oriente Médio.
  • A decisão de reduzir a Selic para 14,25% permanece, mas com ênfase em serenidade e cautela diante da maior incerteza e de riscos assimétricos.
  • O balanço de riscos passou a incluir assimetria altista, com quatro fatores que podem puxar a inflação para cima e três que podem puxar para baixo.
  • Foram discutidas diferentes trajetórias de juros; algumas sugeriam menos volatilidade e convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, sem respostas abruptas.
  • As projeções indicam IPCA acima da meta em 2026 e 2027, com regimes de preços livres e administrados aumentando, câmbio em torno de R$ 5,10 e trajetória de petróleo prevista.

O Copom, órgão do Banco Central, detalhou na ata da reunião de 16 e 17 de junho a piora no cenário inflacionário. O texto aponta desancoragem de expectativas e leituras do IPCA influenciadas pela guerra no Oriente Médio. O comitê reforçou a incerteza em níveis historicamente elevados.

Segundo o documento, as expectativas de inflação continuam acima da meta em todos os horizontes. A ata cita desancoragem adicional para horizontes mais longos, especialmente em 2028, desde a última reunião. A decisão de reduzir a Selic para 14,25% foi tomada, porém com cautela.

Riscos, trajetórias e calibração

O Copom indicou que a assimetria de riscos mudou, com maior potencial de alta da inflação. Quatro fatores estruturais foram identificados como pressões inflacionárias: demanda aquecida, desancoragem de expectativas, inflação de serviços resiliente e impactos de políticas com efeito cambial.

O comitê descreveu trajetórias de juros consideradas durante o encontro. Opcões com menor volatilidade foram priorizadas para evitar impactos abruptos nos preços de ativos e na convergência da inflação. Cenários com pausas e retomadas suaves foram avaliados.

Convergência da inflação e projeções

A ata afirma que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada conforme evolua o cenário. A meta permanece o objetivo central, com a política dando prioridade à serenidade na condução diante das incertezas. A decisão de 14,25% é compatível com a convergência para a meta.

As projeções para inflação foram mantidas, com IPCA em 2026 de 5,2% e em 2027 de 3,7%. Para preços livres, estimativas são 5,3% em 2026 e 3,7% em 2027; para preços administrados, 4,7% e 3,9%, respectivamente. As previsões consideram o cenário de referência do Focus.

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