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El Niño aumenta pressão sobre crédito rural e atrasa recuperação do BB

El Niño pode retardar a recuperação do crédito rural, elevando inadimplência e comprimindo margens de produtores na safra 2026/2027, pressionando bancos

O analista Nícolas Merola, da EQI Research, diz que as culturas mais afetadas devem ser de milho e soja
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  • O NOAA confirmou a chegada do El Niño, com 63% de chance de evoluir para “super El Niño”, aumentando o risco de chuvas excessivas no Sul e secas no Norte e Nordeste.
  • A dinâmica pode comprimir margens dos produtores e dificultar pagamentos de dívidas na safra 2026/2027.
  • A inadimplência na carteira rural chegou a 7,4% em abril de 2026, 4,2 pontos percentuais acima de abril de 2025.
  • O Banco do Brasil aponta cenário de contração de 0,5% do PIB da agropecuária em 2026, e teve inadimplência rural de 6,22% em março, com aumento de provisões (PDD) em 86% frente a 2025.
  • Analistas alertam que, se o El Niño afetar ainda mais a produtividade, bancos podem elevar provisões, renegociar mais e alongar prazos, pressionando resultados de instituições like Banco do Brasil, Banco Banrisul e Banco ABC.

O El Niño pode intensificar a pressão sobre o crédito rural e atrasar a recuperação do setor, segundo meteorologistas. A NOAA confirma a chegada do fenômeno e aponta 63% de chance de ele ganhar força suficiente para ser considerado muito forte, ou super El Niño. A projeção alerta para chuvas acima do normal no Sul e secas no Norte e Nordeste.

Essa dinâmica climática se soma a juros elevados, endividamento no agronegócio e eventos climáticos extremos, dificultando a capacidade de pagamento dos produtores na safra 2026/2027. Em abril de 2026, a inadimplência da carteira rural alcançou 7,4%, ante 3,2% em abril de 2025, segundo dados do Banco Central.

O cenário já é creditado como um risco adicional pelo mercado, em meio a preços de commodities que passaram por queda recente. Além disso, a curva de juros futuros sinaliza possibilidade de pausa no ciclo de redução da taxa Selic, que já foi reduzida para 14,25% na última decisão do Copom.

Impacto previsto no crédito rural e no balanço dos bancos

Analistas associam o El Niño a um aperto nas margens dos produtores, com potencial de aumento de inadimplência caso as saídas de caixa não acompanhem a geração de receita. *Texto* de referência aponta que os produtores, já endividados, podem ter dificuldade para amortizar empréstimos se as saídas de caixa não acompanharem a estiagem ou os atrasos nas safras.

Segundo a S&P Global Ratings, um choque climático adicional pode deteriorar a qualidade de crédito rural no sistema financeiro. O efeito esperado envolve maior necessidade de provisões, renegociações e alongamento de prazos, potencialmente comprimindo o capital regulatório e pressionando os resultados. Banco do Brasil, Banrisul e Banco ABC aparecem como mais sensíveis a esse cenário.

Banco do Brasil e o peso da carteira rural

O BB, maior financiador do agro no país, detalhou que a carteira rural soma cerca de R$ 418 milhões, com maior vulnerabilidade às consequências indiretas do El Niño. Em março, a inadimplência acima de 90 dias atingiu 6,22% do portfólio, levando o banco a reforçar as provisões líquidas contra devedores duvidosos para R$ 18,9 bilhões no primeiro trimestre.

No início do ano, o BB já anunciava renegociações no Programa Regulariza Agro e esperava uma virada do ciclo no segundo semestre. As novas operações costumam incluir garantias mais robustas, com ênfase em alienação fiduciária. Contudo, o pior cenário global pode adiar esse cronograma.

Projeções e reavaliações

Analistas destacam que culturas como milho e soja devem permanecer com peso relevante na carteira do BB, o que eleva a sensibilidade a possíveis quebras de safra. A EQI Research aponta que o banco pode precisar revisar suas projeções para 2026 diante do novo risco climático, mantendo uma visão neutra para as ações.

Bancos com exposição menor ao agro podem sentir impactos de forma mais contida, já que empresas maiores costumam ter acesso a recursos de mercado e gestão de risco mais robusta. A possibilidade de elevação de provisões permanece sob avaliação, conforme evoluem as condições climáticas e o cenário econômico.

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