- A Camex prorrogou por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para CKD e SKD, totalizando US$ 463 milhões, para apoiar descarbonização e renovação da frota.
- A medida privilegia principalmente a BYD, que opera em Camaçari (BA) com veículos SKD, chegando prontos para finalização no Brasil.
- Montadoras tradicionais enxergam o benefício como retrocesso e competição desleal; a Anfavea afirma que houve mudança de política sem consulta ao setor.
- Mesmo assim, o governo manteve a elevação do imposto de importação para veículos montados a 35% a partir de julho, mantendo as cotas para kits desmontados.
- A BYD apresentou crescimento expressivo no Brasil, de 260 veículos vendidos em 2022 para 21.704 emplacamentos em maio, com participação de mercado de 8,5%.
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu prorrogar por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), totalizando US$ 463 milhões. A medida mantém incentivos para a montagem local de veículos elétricos. O governo afirma que a prorrogação está alinhada com metas de descarbonização e renovação da frota.
A decisão tem impacto direto na BYD, que iniciou operações em Camaçari (BA) usando o modelo SKD, com veículos recebidos prontos para finalização no Brasil. Montadoras tradicionais veem o unintended efeito como desigualdade de competição, já que o benefício reduz impostos apenas para itens desmontados.
A Anfavea sustenta que a medida foi tomada sem consulta ao setor produtivo e que contraria uma política do governo que previa o fim das cotas para CKD em fevereiro de 2026. A associação aponta impactos aos empregos, às fábricas nacionais e às peças da indústria brasileira.
Reação do setor
A Anfavea afirma que o mecanismo estimula estoques de importados e não incentiva a produção local. A entidade liderou uma coalizão para tentar derrubar o benefício para importação de kits de veículos eletrificados.
A análise da Anfavea mostra o aumento de emplacamentos de importados no primeiro semestre, com alta expressiva para veículos de origem chinesa. Segundo a associação, o recorte favorece fabricantes já instaladas no Brasil e prejudica a competição justa.
BYD no Brasil
Dados da Fenabrave indicam crescimento relevante da BYD no país, com emplacamentos aumentando de 260 em 2022 para mais de 21 mil em maio deste ano. A empresa passou a ocupar a quarta posição no ranking, com cerca de 8,5% de participação de mercado.
Entre na conversa da comunidade