- Moody’s concedeu à SpaceX a nota Baa1, no grau de investimento, igualando, em percepção de crédito, ao patamar da Nvidia há quase uma década, mesmo com histórico financeiro ainda limitado.
- Investidores lançam pelo menos US$ 20 bilhões em dívida, em cinco séries com vencimentos entre cinco e 30 anos, com rendimentos próximos a dois pontos percentuais acima dos Treasuries.
- No mercado de ações, investidores reagem a uma narrativa de crescimento explosivo, mesmo com avaliações típicas de renda fixa exigindo fluxos de caixa estáveis.
- A S&P Global Ratings, em BBB, espera fluxo de caixa negativo até 2030 e maior consumo de caixa em anos futuros, o que deve levar a maior endividamento, com dívida total estimada em US$ 132 bilhões em 2028.
- Analistas destacam que, apesar do avanço em lançamentos e da rede Starlink, a SpaceX permanece com características de alto risco para crédito, o que mantém o debate sobre a classificação competitiva entre agências.
A Moody’s Ratings atribuiu à SpaceX, empresa de Elon Musk, a nota Baa1, classificando o emissor no grau de investimento. A avaliação ocorreu na semana passada, com base em dados públicos limitados, fluxo de caixa livre negativo persistente e projetos de grande investimento no horizonte. O recebimento da nota surpreende pelo histórico financeiro pouco divulgado.
Em termos de justificativa, a Moody’s aponta que a SpaceX detém domínio em lançamentos espaciais, uma rede de satélites Starlink que gera receita recorrente e acesso a liquidez para sustentar a expansão em inteligência artificial. A avaliação também considera a capacidade de financiar novos investimentos mesmo com caixa negativo.
Investidores de títulos já se preparam para captar pelo menos US$ 20 bilhões em financiamento por meio de cinco séries de títulos, com prazos entre cinco e 30 anos. Os papéis de menor prazo oferecem rendimentos próximos aos de Treasuries, segundo fontes com conhecimento do assunto.
A S&P Global Ratings e a Fitch Ratings também classificam a SpaceX, embora de forma diferente da Moody’s. A S&P mantém o rating em BBB, abaixo de Baa1, e estima fluxo de caixa negativo até 2030, com aumento do consumo de caixa nos próximos anos e novos empréstimos previstos para sustentar a expansão.
Para a S&P, o endividamento total tende a chegar a US$ 132 bilhões até 2028, em comparação com o valor quase zerado hoje, após ajustes contábeis. A agência destaca que o equilíbrio entre riscos de mercado e posição dominante da empresa sustenta a classificação.
O consenso de mercado divide opiniões. Especialistas ressaltam que o negócio da SpaceX envolve alto consumo de caixa e dependência de crescimento futuro para sustentar números. Ainda assim, a maior parte do mercado vê potencial de valorização a longo prazo.
Entre os analistas, há percepções distintas sobre o caminho de rating. Alguns destacam que a empresa pode ascender para patamares superiores caso realize grande parte de seus objetivos, aproximando-se de grandes hyperscalers. Outros alertam para a necessidade de gestão de caixa robusta.
Confiabilidade e riscos aparecem unidos na discussão. Investidores de crédito ponderam que a SpaceX oferece vantagens competitivas em lançamentos e infraestrutura, mas exige financiamento ativo para manter o ritmo de crescimento.
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