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Indústria tem ponto cego na corrida pela IA

Na corrida pela IA, indústria latino-americana subestima a requalificação, atrasando transformação de processos e impactos de curto prazo

O ponto cego da indústria na corrida pela AI
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  • A América Latina encara envelhecimento rápido: nos próximos 30 anos, mais de 25% da população terá 60 anos ou mais, segundo a McKinsey, o que eleva a pressão por produtividade.
  • A indústria já mira IA, digitalização e automação como aceleradores de produtividade e atração de talentos, com pesquisa entre mais de 120 COOs indicando que a maioria deve investir mais de 1% do CMV, e cerca de um terço prevê investir pelo menos 5%.
  • O principal entrave à implementação de IA é o modelo operacional; investimentos seguem principalmente para automação de chão de fábrica e otimização de processos, enquanto qualificação da força de trabalho e infraestrutura IT/OT ficam em posições mais baixas.
  • Há subestimativa do fator humano: apenas 35% dos COOs da região veem a requalificação em larga escala como desafio, contra 49% globalmente; apenas 7% das organizações latino-americanas implementam IA em escala (vs. 11% globalmente).
  • Transformação real exige redesenho de processos, não apenas automação; exemplos bem-sucedidos mostram ganhos significativos de produtividade e redução de estoques quando a IA reestrutura fluxos críticos, não apenas automatiza tarefas isoladas.

A indústria latino-americana encara um desafio estrutural: a escassez de mão de obra, agravada pela mudança demográfica. A McKinsey estima que, nos próximos 30 anos, mais de 25% da população da região terá 60 anos ou mais. Esperar pelo bônus demográfico não é opção.

Mesmo com a janela ainda aberta, setores industriais já sofrem com a competição por talentos. A digitalização, automação e IA aparecem como alavancas de produtividade e atração de trabalhadores. Pesquisas com mais de 120 COOs indicam aumento nos investimentos nessas áreas.

Investimento e prioridade

A maioria dos líderes projeta elevar o investimento em tecnologia. Mais de 90% pretende colocar pouco mais de 1% do CMV, e quase um terço planeja investir 5% ou mais. O desafio, contudo, reside em como aplicar esses recursos de forma eficaz.

Onde está o gargalo

Para implementação de IA, o principal entrave é o modelo operacional. Mudança cultural, dados e infraestrutura IT/OT aparecem em seguida. Ainda assim, automação de chão de fábrica e melhoria de processos concentram os maiores orçamentos, enquanto capacitação da força de trabalho fica mais distante.

O ponto cego na região

A região subestima o fator humano de forma sistemática. Apenas 35% dos COOs veem a requalificação em larga escala como desafio, ante 49% globalmente. Além disso, 20% acreditam estar muito preparados para adotar IA, contra 14% no mundo, mas apenas 7% reportam implementação em escala, frente a 11% globalmente.

Sinais do chão de fábrica

Entre trabalhadores industriais, a rotatividade é maior, com 37% buscando mudar de emprego, e 42% entre os jovens pretendendo sair em até seis meses. Esses indicadores reforçam a necessidade de alinhar transformação tecnológica com qualificação de pessoas.

Transformar, não apenas otimizar

A adoção de IA tem sido tratada como melhoria de processos, e não como vetor de transformação. Quase metade dos COOs enxerga IA como apoio a tarefas rotineiras; apenas 13% imaginam uso autônomo e colaborativo com pessoas. O teto de ambição ainda é baixo.

Casos que destacam o potencial

Em operações de alta complexidade, redesenho de suprimentos e manufatura com IA elevou a produtividade em 45% e reduziu estoques em 81%. Em outro caso, agentes autônomos de IA na roteirização reduziram custos de frete em 15% e ampliaram a capacidade de atendimento em 20 vezes.

O círculo vicioso

Ainda não é comum ver retorno robusto dos investimentos: apenas 17% dos COOs latino-americanos relatam retorno esperado, ante 30% globalmente. A desconfiança interna alimenta resistência cultural, alimentando novo ciclo de cortes de investimentos.

Caminho para fechar o caso de negócio

Transformação digital e IA exigem equilíbrio entre ganhos de curto prazo e construção de bases sólidas. Identificar domínios de impacto imediato financia infraestrutura, modelo operacional e qualificação da força de trabalho. A adoção eficaz demanda redesenho de processos e investimentos em tecnologia escalável.

Caminho futuro

A IA tem potencial para acelerar o salto industrial, atrair talentos e compensar o fim do bônus demográfico. Os casos de sucesso indicam que o desafio central é transformar processos, qualificar a força de trabalho e capturar valor em escala, não apenas automatizar tarefas isoladas.

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Jorge Cerezo é sócio da McKinsey e colíder da prática de Operações na América Latina.

Vitor Caneiro é sócio da McKinsey.

Thalita Marcondes é sócia associada da McKinsey.

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