- O Parlamento Europeu, pela Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON), aprovou o plano para o euro digital, com versões online e offline, com lançamento previsto até 2029 pelo Banco Central Europeu (BCE).
- O objetivo é reduzir a dependência de provedores de pagamentos norte‑americanos, como Visa, Mastercard, American Express, Apple Pay, Google Pay e PayPal.
- As negociações finais devem ocorrer entre o Parlamento, governos nacionais e a Comissão Europeia, para firmar o acordo.
- O relator Fernando Navarrete Rojas afirmou que o euro digital complementará o dinheiro em espécie e não o substituirá, mantendo a liberdade de escolha de pagamento.
- O BCE fará uma fase piloto de doze meses para testar a versão beta, envolvendo provedores de serviços de pagamento licenciados e comerciantes da zona do euro.
O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira, 22 de junho de 2026, um plano para criar versões online e offline do euro digital. O objetivo é reduzir a dependência de provedores de pagamentos norte-americanos e estabelecer uma moeda central integrada à economia da União Europeia. O Banco Central Europeu (BCE) planeja lançar a moeda até 2029.
A decisão foi tomada pela Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON) do Parlamento, abrindo caminho para negociações com governos nacionais e a Comissão Europeia. O projeto visa oferecer uma alternativa europeia segura e resiliente aos sistemas de pagamento dominados por empresas como Visa, Mastercard, American Express, Apple Pay, Google Pay e PayPal.
O relator Fernando Navarrete Rojas afirmou, em resumo, que o euro digital complementará o dinheiro em espécie, preservando a liberdade de escolha dos cidadãos e evitando a imposição de um único modo de pagamento. A proposta original foi apresentada pela Comissão Europeia em 2023, e ganhou impulso este ano diante de temores de dependência excessiva de tecnologias estrangeiras.
Progresso e próximos passos
A proposta passou por longas negociações entre Estados-membros, Parlamento e Comissão Europeia, com divergências sobre a participação do setor privado. O BCE ficará responsável pela infraestrutura da moeda digital, mantendo o dinheiro físico como curso legal. Navarrete destacou que o objetivo é ampliar opções de pagamento sem obrigar a retirada do dinheiro vivo.
O BCE também ressaltou a importância de proteger a moeda física e preparar o terreno para o euro digital. Uma fase piloto de 12 meses será realizada antes do lançamento, envolvendo serviços de pagamento licenciados e comerciantes da zona do euro para testar a versão beta em situações reais de uso.
Comparação com sistemas existentes e contexto
Assim como o Pix no Brasil, o euro digital busca ampliar transações sem depender de empresas norte-americanas. No entanto, o Pix é um sistema de pagamentos instantâneos gerido pelo Banco Central do Brasil, enquanto o euro digital será mantido pelo BCE em infraestrutura exclusiva.
A expansão de stablecoins com lastro principalmente em dólar e ações promovidas por autoridades americanas elevou a preocupação europeia com dependência externa. Esse cenário fortalece a argumentação a favor de uma moeda digital pública e europeia, segundo interlocutores do Parlamento.
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