- A Polícia Federal deflagrou operação contra o Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, alegando replicar o modelo do Banco Master e inflar balanços.
- A investigação aponta reavaliações patrimoniais irregulares que elevaram ativos a 741 milhões de reais, com exposição acima do permitido em 699 milhões de reais.
- O Digimais tinha 600 milhões de reais em crédito do Master e, em março de 2025, cedeu 660 milhões a um fundo (FIDC EXP 1); houve disputas judiciais sobre irregularidades nos títulos.
- Em janeiro de 2025, o Banco Central vetou a compra do Digimais pelo Bluebank, citando riscos ligados ao histórico do empresário; a supervisão determinou que ativos retornassem ao valor original.
- A PF também questiona o uso do Fundo Garantidor de Créditos para socorrer instituições com alta alavancagem artificial, solicitando mandados de busca, bloqueio de bens e apreensão de documentos.
A Polícia Federal deflagrou uma operação contra o Banco Digimais, controlado por Edir Macedo. Segundo a PF, a instituição repetiu o modelo do Banco Master, que levou à sua liquidação em 2025. A apuração aponta inflar balanços por meio de reavaliações irregulares, com operações envolvendo R$ 741 milhões. Além disso, houve excedente de limites regulatórios de exposição em R$ 699 milhões.
A investigação sustenta que o Digimais usou o mesmo padrão do Master para manter aparência de solidez. A PF informou que o banco mantinha exposição de R$ 600 milhões a carteiras do Master, que entrou em liquidação, e que cedeu R$ 660 milhões em créditos ao fundo FIDC EXP 1 em março de 2025.
A operação resultou em disputas judiciais, com denúncias sobre inconsistências nos títulos cedidos e falhas na documentação que lastreava os ativos. A PF ressalta que o objetivo era preservar a aparência de balanços fortes.
Veto do BC e reavaliações sob suspeita
Em janeiro de 2025, o Banco Central vetou a compra do Digimais pelo empresário Maurício Antonio Quadrado, por meio do Bluebank. A PF aponta riscos ligados ao histórico e aos vínculos do investidor.
A fiscalização identificou irregularidades contábeis, levando o BC a determinar que os ativos retornassem ao valor original. Direitos creditórios comprados por R$ 71 milhões passaram a valer R$ 741 milhões nos registros, com valorização superior a 940%.
> A PF relata que a operação visava manter a aparência de solvência nos balanços do Digimais. Em seguida, a instituição vendeu cotas avaliadas em R$ 741,3 milhões para a controladora B.A. Empreendimentos e Participações, com pagamento previsto até 2032.
A PF também critica o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em intervenções para socorrer bancos em dificuldade. Segundo a apuração, recursos do fundo serviram para sustentar a alavancagem artificial de instituições em crise.
A investigação aponta que o FGC poderia ter sido utilizado de forma inadequada para cobrir fraudes ou irregularidades contábeis. O próximo passo envolve mandados de busca a diretores e ex-executivos do Digimais, bem como bloqueio de bens, quebra de sigilos e apreensão de documentos.
A PF afirma ainda que apura operações vedadas pelo Banco Central e indícios de fraude na escrituração contábil, com possível desvio de finalidade prevista na legislação.
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