- A Polícia Federal investiga fraudes em que direitos creditórios de uma ação contra a União, de 1967, teriam sido reavaliados sucessivamente para inflar ativos do banco Digimais, de Edir Macedo, gerando renda fictícia de R$ 199 milhões.
- A operação Miragem, realizada nesta terça-feira, cumpriu nove mandados de busca e apreensão para desarticular o esquema no Digimais, banco ligado ao fundador da Igreja Universal.
- O Banco Central determinou que o banco refizesse as avaliações, retornando ao custo original; para manter o valor inflado, gestores criaram contratos simulados a prazo com a controladora, a B.A Empreendimentos, levando o pagamento para 2032.
- O esquema envolveu duas etapas de compra de cotas da ação judicial. Na primeira, o fundo ID112 adquiriu 7,7% por R$ 9 milhões, depois houve aumento para R$ 100 milhões; depois, mais 9,25% por R$ 22 milhões, elevando o total para R$ 130 milhões.
- Na segunda etapa, novas parcelas foram compradas por R$ 20 milhões cada e infladas para R$ 174,5 milhões, com custo real entre R$ 71 milhões e R$ 741,3 milhões nos demonstrativos. O BC apontou venda como financiamento ilegal ao dono.
A Polícia Federal identificou fraudes que geraram renda fictícia de 199 milhões de reais no banco Digimais, controlado pela igreja Universal e ligado a Edir Macedo. A investigação resultou em nove mandados de busca e apreensão na operação Miragem, realizada nesta terça-feira.
Segundo a PF, o esquema envolveu reavaliações sucessivas de direitos creditórios da mesma ação, uma ação judicial de 1967 contra a União. Gestores teriam adquirido fatias por etapas, inflando valores para inflar o patrimônio líquido da instituição.
Ao BC, o banco informou que houve ajustes obrigatórios nas avaliações, mas os gestores optaram por registrar contratos simulados para alongar prazos e manter o valor inflado nos balanços. A manobra foi acompanhada de transações entre fundos de investimento.
Mecanismo da fraude
O fundo ID112 comprou 7,7% dos direitos da ação de 1967 por 9 milhões de reais, com novas transferências elevando o montante para 100 milhões. Em seguida, outra parcela de 9,25% foi adquirida por 22 milhões, repetindo o esquema até chegar a 130 milhões.
Na etapa seguinte, duas parcelas adicionais foram compradas por 20 milhões cada e infladas para 174,5 milhões cada. O custo real variou de 71 milhões a 741,3 milhões nos demonstrativos contábeis.
Medidas e consequências
O Banco Central determinou que o Digimais refizesse as avaliações para o custo original. Para evitar perdas, gestores fizeram contratos simulados a prazo com a controladora da instituição, a B.A Empreendimentos, com pagamento para 2032. O BC apontou que a operação configuraria venda com financiamento irregular ao dono.
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