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PF investiga Banco Digimais em possível esquema; entenda o caso

Polícia Federal deflagra operação Miragem contra Banco Digimais; bloqueio de ativos de mais de R$ 670 milhões e nove mandados de busca

Banco Digimais/Logo
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  • A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem, nesta terça (23), para investigar suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Digimais, ligado ao grupo do bispo Edir Macedo, com bloqueio de mais de R$ 670 milhões e nove mandados de busca em São Paulo.
  • A operação reacende comparações com o caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025, mas autoridades destacam que apurações estão no início e não há confirmação de dimensão similar.
  • Investigações apontam manipulação de balanços para ocultar a real situação financeira; o Master era conhecido por títulos de renda fixa, enquanto o Digimais atua principalmente em financiamento de veículos e crédito consignado.
  • Analistas veem forte presença de convênios públicos no crédito do Digimais: cerca de 60% com a Prefeitura de São Paulo e 25% com o Governo de São Paulo.
  • Fitch rebaixou a nota do Digimais, citando margem de segurança financeira muito baixa; a venda para o BTG Pactual depende de aprovação do Banco Central e do Cade, e o BC ainda não sinalizou liquidação.

O Banco Digimais teve a abertura de uma investigação deflagrada pela Polícia Federal. A Operação Miragem, ocorrida na terça-feira (23), apura suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao grupo associado ao bispo Edir Macedo. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, com bloqueio de ativos que somam mais de R$ 670 milhões. A operação aponta indícios de manipulação contábil para ocultar a real saúde financeira da instituição.

Especialistas afirmam que as investigações ainda estão no estágio inicial e que não há confirmação de que o caso tenha a mesma dimensão do passado, quando o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 2025. Analistas destacam que os paralelos são baseados em sinais iniciais, como uso de instrumentos para sustentar uma aparência de solidez e captação de recursos.

O que se sabe sobre o Digimais

A linha de investigação concentra-se, por ora, em supostas manipulações de balanços para ocultar fragilidades financeiras. O modelo de negócios do Digimais difere do Master, atuando principalmente em financiamento de veículos e crédito consignado. Ainda assim, há indícios de uso de fundos de investimento para manter emissões de CDBs diante da piora financeira.

Convênios públicos aparecem como parte do cenário analisado. Dados internos indicam que cerca de 60% dos contratos de crédito consignado envolvem a Prefeitura de São Paulo, com- mais 25% vinculados ao Governo de São Paulo e acordos com estados e municípios. No Master, investigações apontaram aplicações de regimes próprios de previdência em títulos da instituição.

Avaliações de risco e venda em curso

A Fitch rebaixou a nota de crédito do Digimais um dia antes da operação. A agência aponta margem de segurança financeira muito baixa e dificuldade de avaliação da posição patrimonial pela falta de informações sobre liquidez, capital e estratégia. A ruptura financeira é apresentada como possibilidade concreta caso a instituição não se fortalete.

O Digimais ainda está em processo de venda. Em abril, o BTG Pactual divulgou acordo para adquirir a instituição, mas a operação depende da aprovação do Banco Central e do Cade. Em caso de aprovação, o negócio seguirá sob o escrutínio regulatório típico de operações desse porte.

Perspectivas regulatórias e impactos

O Banco Central ainda não sinalizou a liquidação do Digimais. Caso haja decisão nesse sentido, o impacto estimado ao FGC pode ficar próximo de R$ 8 bilhões, conforme avaliação de especialistas. O futuro da instituição depende da evolução das apurações da Polícia Federal e da posição oficial do BC.

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