- O Copom informou que o balanço de riscos para a inflação está assimétrico, com viés altista.
- Entre os riscos de alta, destacam-se desancoragem das expectativas de inflação a prazos maiores, impactos de choques de oferta (petróleo) e de eventos climáticos sobre produtividade e custos, além de câmbio mais depreciado.
- Entre os riscos de baixa, aparecem desaceleração da atividade doméstica, piora global, maior incerteza e recuo de preços de commodities.
- A calibração da política monetária será ajustada conforme a evolução do cenário para assegurar a convergência da inflação à meta; a taxa básica caiu de 14,5% para 14,25%.
- A ata aponta inflação acima da meta em horizontes mais longos, com projeção de 3,7% para o quarto trimestre de 2027 e cenários que mantêm pressão inflacionária mesmo diante da desinflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou, em ata divulgada nesta terça-feira, que o balanço de riscos para a inflação permanece assimétrico, com tendência altista. A instituição manteve a leitura de que riscos de alta e de baixa existem, mas em geral são mais relevantes para o lado de cima.
O Copom explicou a decisão de reduzir a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25% ao ano, afirmando que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada conforme a evolução do cenário econômico para assegurar a convergência da inflação à meta.
Segundo o documento, o quadro aponta quatro riscos de alta para a inflação e três de baixa, mantendo a visão de que a desancoragem das expectativas permanece um desafio. A novidade é a inclusão de estímulos à demanda como fator relevante.
Riscos para a inflação apontados pelo Copom incluem uma desancoragem de expectativas por períodos mais longos, impactos potenciais de choques de oferta ligados ao petróleo e à energia, além de efeitos climáticos que afetam a produtividade agrícola. Também há a possibilidade de maior resiliência da inflação de serviços frente a um hiato do produto mais forte.
Entre os fatores de baixa, o Copom cita desaceleração da atividade econômica doméstica, restrições globais associadas a choques de comércio e de petróleo, maior incerteza e, ainda, queda nos preços de commodities com efeito desinflacionário.
A ata reforça que a calibração da política monetária continuará dependente da evolução do cenário, com o objetivo de manter a inflação alinhada à meta. O Copom também reiterou que as leituras recentes de inflação já indicam pressões adicionais em horizontes de 2026 a 2028.
No recorte de cenário, o Copom destacou que a projeção para o quarto trimestre de 2027, com base nas leituras atuais, aponta inflação mais distante da meta do que na decisão anterior, ampliando a percepção de trajeto mais desafiador.
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