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Trabalhadores de apps movem bilhões, mas têm dificuldade para obter crédito

1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos ganham acima da média, mas encontram crédito recusado; Open Finance amplia aprovações com análise individualizada

Foto: Magnific
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  • O Brasil tem 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos, alta de 25,4% em dois anos, segundo o IBGE via PNAD Contínua.
  • Mesmo com rendimentos estáveis ou superiores à média, muitos enfrentam dificuldade para conseguir empréstimo pessoal, por não ter holerite ou contracheque.
  • O perfil da categoria aponta maioria no Sudeste, faixa etária entre 25 e 39 anos e educação básica avançada; 53,7% estão na região sudeste.
  • A Open Finance e as fintechs aparecem como solução, com avaliações individualizadas que vão além de documentos tradicionais, facilitando o acesso ao crédito.
  • Na prática, a jornada de empréstimo na hora funciona em quatro etapas e oferece até R$ 2.500 via Pix, com liberação rápida após assinatura digital.

O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas trabalhando por aplicativos, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O dado, divulgado em outubro de 2025, mostra alta de 25,4% em dois anos. Motoristas, entregadores e prestadores de serviços compõem esse grupo.

Apesar da renda potencial, muitos utilizam plataformas para sustentar a família, mas encontram dificuldade para obter empréstimo pessoal rápido. A ausência de holerite e de contracheque complica a avaliação de crédito.

As atividades de plataforma movimentam recursos diários via Pix. Partem de pagamentos contínuos e costumam depender de rendimentos que variam semanalmente, dificultando a comprovação de estabilidade financeira.

Retrato da categoria

Entre os 1,7 milhão, 878 mil atuam no transporte de passageiros. Entregas de comida e produtos somam 29,3% do total, serviços gerais e profissionais via plataformas respondem por 17,8%. A maior concentração está no Sudeste, com 53,7%.

A distribuição regional segue: Nordeste, 17,7%; Sul, 12,1%; Centro-Oeste, 9%; Norte, 7,5%. Quase metade tem entre 25 e 39 anos; 36,2% estão entre 40 e 59. A maioria tem ensino médio completo ou incompleto.

Renda média relatada por motoristas por aplicativo fica ao redor de R$ 2.766 mensais; quem trabalha 40 horas semanais recebe entre R$ 3.083 e R$ 4.400. Entregadores registram ganhos entre R$ 2.669 e R$ 3.581.

O quadro de proteção social é limitado: apenas 23,6% dos motoristas contribuem com a Previdência Social, conforme dados analisados pela Unicamp.

Regulamentação em pauta

Em 24 de março de 2026, o governo anunciou medidas para motoristas e entregadores, como maior transparência de valores pagos, criação de até 100 pontos de apoio e discussão sobre remuneração mínima.

Pouco depois, a Senacon determinou que plataformas informem a composição dos preços cobrados. Desde 24 de abril, apps precisam mostrar o que fica com a plataforma, o que vai para o trabalhador e o que vai para estabelecimentos parceiros.

No Congresso, tramita projeto com piso por serviço entre R$ 8,50 e R$ 10, teto de 30% para taxa de intermediação e mecanismos de contribuição previdenciária. A continuidade da tramitação depende de acordos entre setores.

Entretanto, protestos de entregadores e motoristas acompanham as negociações, com mobilizações relacionadas ao tema.

O paradoxo do crédito

Mesmo com renda recorrente, muitos trabalhadores não conseguem empréstimo pessoal na hora. Emergências como pneu furado, manutenção de veículo, despesas médicas ou contas de água e energia aparecem como motivos comuns para buscar liquidez rápida.

Clássicos modelos de avaliação, ainda baseados na carteira assinada, excluem quem recebe por corrida, entrega ou serviço. Assim, pedidos de crédito podem ser recusados, apesar de capacidade de pagamento real.

O custo do crédito também preocupa: a taxa média anual do crédito livre para pessoa física chegou a 61,5% em março de 2026, segundo o Banco Central.

Tecnologia que vê a realidade financeira

O Open Finance, coordenado pelo Banco Central, facilita o acesso a histórico bancário autorizado pelo cliente. Em 2026, registrou 160 milhões de consentimentos ativos no primeiro trimestre.

A ideia é aumentar a aprovação de crédito para consumidores antes invisíveis aos modelos tradicionais, em até 30%, segundo dados do BC e da Agência Brasil.

Modelos de análise individualizada usam dezenas de variáveis para entender o comportamento financeiro. Fintechs como a SuperSim adotam esse approach, avaliando perfil além de holerites.

Inclusão financeira e crédito na prática

A inadimplência persiste: mapa da Serasa aponta 81,7 milhões de negativados em 2026. Ainda assim, tecnologia de avaliação mais holística busca ampliar acesso a crédito de emergência.

A SuperSim afirma ter concessões expressivas: mais de 7 milhões de empréstimos emitidos, com 1,5 bilhão de reais emprestados, e 5 milhões de propostas processadas por mês. A empresa segue a Resolução Bacen 3.954.

Como funciona o empréstimo na prática

Para emergências, a SuperSim oferece empréstimo online de até R$ 2.500, pago em até 14 parcelas. O processo é digital, com aprovação rápida e liberação via Pix, inclusive para negativados, após assinatura do contrato.

O serviço não está ligado a programas governamentais de crédito nem a crédito consignado.

O caminho para o crédito responsável

A ferramenta Open Finance, aliada a análise individual, busca reduzir barreiras de acesso ao crédito. Trabalhadores de renda variável devem manter organização financeira, com reserva de emergência e uso criterioso de crédito.

O objetivo é ampliar a inclusão financeira sem incentivar uso inadequado de crédito de curto prazo.

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