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Vale cai e dólar firme emperram recuperação do Ibovespa

Vale cai quase dois por cento e emperra a recuperação do Ibovespa, enquanto dólar atinge maior nível em um ano, complicando a aproximação do patamar neutro

Mergulho da Vale (VALE3) e dólar mais forte emperram recuperação do Ibovespa — Foto: Getty Images
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  • Ibovespa fechou em alta de 0,52%, aos 171.259 pontos, com ganho semanal de 1,74% (ano: +6,3%).
  • A Vale caiu quase 2%, segurando a recuperação do Ibovespa apesar do fluxo de “voo para a qualidade”.
  • Dólar à vista subiu 0,88%, a R$ 5,19; câmbio acumula alta de 0,4% na semana e 2,86% no mês.
  • Giro financeiro do dia ficou em cerca de R$ 16 bilhões, 13% abaixo da média dos últimos 12 meses.
  • Para superar a zona de resistência, o Itaú BBA aponta que o Ibovespa precisa chegar a 174.900 pontos; resistência em 179.500 pontos e Vale, com 12% de peso, pode definir o ritmo.

O Ibovespa encerrou em alta, mas a recuperação ganhou atrito com o recuo da Vale e a valorização do dólar. O índice avançou 0,52%, aos 171.259 pontos, após semanas de quedas. A sessão teve fluxo de “qualidade” e rotação para setores tradicionais, mas o peso da Vale limitou a alta.

A mineradora caiu quase 2%, pressionando o pregão e emperrando a recuperação do índice. A Vale segue sob pressão de mercado devido a fatores de gestão e a variação do minério de ferro, que recuou para patamares próximos de US$ 98 a tonelada no mercado asiático.

Houve apoio técnico para a recuperação, com o Copom oferecendo sinais que contribuíram para reduzir prêmios na curva de juros. As expectativas de inflação e a política fiscal foram consideradas por operadores, que enxergaram espaço para o patamar neutro no Ibovespa em torno de 174.900 pontos.

O giro financeiro da bolsa ficou em 16 bilhões de reais, abaixo da média de 12 meses. Mesmo assim, a calibração entre ações de IA, indústria pesada e bancos ajudou a manter a direção positiva, favorecendo uma leitura menos negativa para o curto prazo.

O dólar à vista subiu 0,88%, para 5,19 reais. Na semana, a moeda avançou 0,4%, e no mês acumula alta de 2,86%. A valorização externa do dólar está associada a fluxos globais de risco e à percepção de aperto monetário nos EUA.

No cenário doméstico, investidores acompanharam novos sinais da ata do Copom. O documento reforçou a credibilidade da autoridade monetária e indicou apoio à meta de inflação, ao mesmo tempo em que reconheceu incertezas externas. Isso ajudou a conter expectativas de novos aumentos da Selic.

Na Vale, a tensão sobre a governança persiste. O conselho recomendou aos acionistas que rejeitem a proposta da Previ para destituir o presidente do conselho, Daniel Stieler. A assembleia extraordinária está marcada para julho, e a disputa envolve a percepção de ingerência política na empresa.

Entre os componentes do índice, o setor de metais e siderurgia caiu junto com a Vale, refletindo a menor demanda por minério de ferro e o cenário de oferta global elevada. O tom do mercado permanece de cautela diante de próximos indicadores na China e de ações regulatórias internas.

O Brent e o câmbio externo permanecem como fatores de volatilidade para o curto prazo. Especialistas destacam que, mesmo com a recuperação técnica, o Ibovespa precisa superar resistência próxima a 179.500 pontos para avançar rumo a 188.700 e 199.300 pontos.

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