- Assaí informa que hoje gasta cerca de R$ 7 milhões por dia com despesas financeiras, incluindo fins de semana e feriados.
- A empresa diz que a conta anual soma aproximadamente R$ 2,3 bilhões, mas a dívida líquida caiu em R$ 1,2 bilhão no último ano.
- Em 2021, a compra e reforma de 66 pontos do Extra ocorreu com juros baixos; hoje, a aquisição seria diferente, especialmente na correção, diante do cenário de juros.
- A expansão desacelerou: prioridade é preservar caixa e reduzir a dívida, com previsão de cinco novas lojas em São Paulo neste ano.
- A companhia mira novas frentes de crescimento, como farmácias, marcas próprias, serviços financeiros, parcerias com iFood e Mercado Livre e entrada em postos de combustíveis, além de considerar dificuldade de terrenos e licenças em metrópoles.
O Assaí informou que hoje gasta cerca de R$ 7 milhões por dia com despesas financeiras, incluindo fins de semana e feriados. A visão é de que a alta da Selic elevou o custo da aquisição de pontos do Extra, segundo o CEO Belmiro Gomes em entrevista à Exame.
O executivo destaca que a despesa anual chega a aproximadamente R$ 2,3 bilhões, mas afirma que a empresa conseguiu reduzir a dívida líquida em R$ 1,2 bilhão no último ano, sinalizando geração de caixa robusta mesmo diante do peso financeiro.
A compra e reforma de 66 pontos do Extra, em 2021, ocorreu em condições de juros bem menores, com a taxa básica da Selic em 2% e projeções de patamar próximo a 7%. Hoje, Belmiro admite que faria ajustes na negociação diante do cenário de juros atual.
Segundo o CEO, a operação pode ter sido repetida, desde que os termos de correção fossem revisados para refletir a taxa real de juros. A expansão foi embalada por expectativas de mercado que não previram o aperto monetário recente.
Expansão mais contida e novas frentes
O custo financeiro elevado levou o Assaí a reduzir o ritmo de ampliação de lojas em relação ao plano. A estratégia passa a priorizar preservação de caixa e desalavancagem, com foco em cinco novas unidades em São Paulo neste ano.
Apesar da contenção, o grupo não interrompe investimentos, mantendo planos para próximas transformações. Entre as apostas estão farmácias, marcas próprias, serviços financeiros e parcerias com iFood e Mercado Livre, além da entrada em postos de combustível.
A aquisição de pontos já prontos também é vista como vantagem para abrir presença em regiões centrais de grandes cidades e atingir consumidores de renda mais alta, conforme relato do executivo sobre o reposicionamento do modelo de atacarejo.
Belmiro afirma que a dificuldade de encontrar terrenos e licenças em metrópoles influenciou a decisão de comprar pontos existentes, dada a complexidade de replicar operações semelhantes em novos locais.
Entre na conversa da comunidade