- Auditoria independente identificou indícios de irregularidades em operação de R$ 741 milhões envolvendo o Banco Digimais e sua controladora antes da Operação Miragem da Polícia Federal, deflagrada na terça-feira (23).
- Balanço da controladora, B.A. Empreendimentos e Participações S.A., mostrou ativos pulando de R$ 785 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,8 bilhão em 2025, em grande parte pela compra de cotas do Hermon FIDC-NP pelo Digimais, por R$ 741 milhões.
- Auditores disseram que a operação não refletia condições usuais de mercado, o ativo não possuía remuneração compatível e dependia de aportes dos controladores.
- PF aponta valorização artificial dos ativos: o Digimais havia adquirido as mesmas cotas por R$ 71 milhões anteriormente, sugerindo valorização para melhorar o patrimônio, ligado a créditos judiciais contra a União (antiga Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia, hoje Vale).
- Investigações indicam tentativa de driblar o Banco Central, com o BC determinando a reversão da valorização; venda para a controladora manteve o valor no balanço como “valores a receber do controlador”; há alto grau de incerteza sobre a continuidade operacional e cerca de 3 bilhões de reais em fundos não passaram por auditoria entre os 4 bilhões administrados.
Uma auditoria independente identificou indícios de irregularidades em uma operação de 741 milhões de reais envolvendo o Banco Digimais e sua controladora, antes da deflagração da Operação Miragem pela Polícia Federal, na terça-feira (23).
Segundo o documento, a transação apresentava condições incomuns de mercado e poderia ter inflado artificialmente o patrimônio da empresa, ampliando suspeitas que passam a ser investigadas pela PF.
A auditoria ressaltou que a operação não refletia condições normais de mercado, pois o ativo não possuía remuneração compatível e seu pagamento dependeria de aportes dos próprios controladores.
Conforme balanço da B.A. Empreendimentos e Participações S.A., controladora do Digimais, os ativos da empresa saltaram de 785 milhões de reais em 2024 para cerca de 1,8 bilhão de reais em 2025, em grande parte pela aquisição de cotas do Hermon FIDC-NP pelo valor de 741 milhões.
A PF aponta valorização artificial dos ativos, já que o Digimais havia adquirido anteriormente as mesmas cotas por apenas 71 milhões de reais. O fundo está relacionado a créditos judiciais ligados a processo envolvendo a União e a antiga Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia, hoje Vale.
A investigação indica que a diferença entre os valores sugere uma movimentação para melhorar a situação patrimonial da instituição, simulando solvência e ocultando a real situação financeira.
Dados da PF indicam ainda possível tentativa de driblar o Banco Central, que havia determinado a reversão da valorização. A venda para a controladora manteve o valor registrado na rubrica de valores a receber do controlador.
O relatório da auditoria também aponta elevado grau de incerteza quanto à continuidade operacional do Digimais, com aproximadamente 3 bilhões de reais dos cerca de 4 bilhões sob gestão em fundos não auditados.
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