- Campo Limpo projeta atingir até R$ 1 bilhão de receita na próxima década, conforme divulgado pelo presidente Marcelo Okamura.
- O sistema de logística reversa custa cerca de R$ 400 milhões por ano ao setor; o inpEV coordena a rede com orçamento de cerca de R$ 250 milhões.
- Em 2025, a Campo Limpo registrou faturamento líquido de R$ 506 milhões e estima crescer entre 10% e 12% em 2026, chegando a R$ 567 milhões, se o ritmo for mantido.
- A operação de 2025 envolveu 18.809 caminhões e 7,98 milhões de quilômetros para destinação das embalagens.
- O Sistema Campo Limpo destinou cerca de 76 mil toneladas de embalagens vazias em 2025, com 92% do material reciclado; o Brasil movimenta aproximadamente metade do plástico de defensivo agrícola reciclado no mundo.
A Campo Limpo projeta chegar a 1 bilhão de reais de receita na próxima década, conforme afirmou Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo e do inpEV, durante coletiva nesta terça-feira (23). O objetivo reforça o papel da empresa na logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas, que custa cerca de 400 milhões de reais por ano ao setor.
O inpEV coordena a rede nacional de recebimento, transporte e destinação das embalagens. O orçamento anual da entidade é de aproximadamente 250 milhões de reais, com a maior parte paga pela indústria de defensivos, conforme a lei. A Campo Limpo agrega receita com a venda de embalagens recicladas, tampas e resinas, ajudando a reduzir esse custo.
A empresa encerrou 2025 com faturamento líquido de 506 milhões de reais e projeta crescimento entre 10% e 12% para 2026. Se confirmado, o resultado pode chegar a cerca de 567 milhões de reais neste ano. Okamura destacou que a Campo Limpo fortalece o sistema e ajuda a compensar parte dos custos da logística reversa.
Receita para abater a conta
A Campo Limpo atua como braço industrial do Sistema Campo Limpo, programa coordenado pelo inpEV. Ela transforma embalagens pós-consumo em novas embalagens, tampas, resinas e outros itens plásticos, conectando destinação ambiental e monetização do material. Sem essa receita, operadores teriam maior aporte financeiro das fabricantes.
O processo começa no campo: lavagens, armazenamento e devolução das embalagens em pontos de recebimento. O inpEV recebe, separa, prensa e transporta o material para reciclagem ou incineração, conforme o tipo. Em 2025, a operação envolveu 18.809 caminhões e 7,98 milhões de quilômetros percorridos.
Expansão industrial
Criada em 2008, a Campo Limpo reúne duas operações: a reciclagem e transformação de plásticos em Taubaté (SP) e Ribeirão Preto (SP), além de uma unidade de tampas em Taubaté. A empresa tem 25 acionistas, entre fabricantes como BASF, Bayer, Corteva, Ihara, Syngenta e UPL do Brasil.
O negócio principal continua sendo a produção de embalagens plásticas para defensivos, com produção praticamente em capacidade plena. Investimentos recentes incluem sopradoras e ampliação estrutural, impulsionados pela demanda por embalagens recicladas, que já representa parte relevante do faturamento.
Novos mercados e competitividade
A estratégia de crescimento envolve ampliar capacidade, reduzir custos e explorar novos mercados, com mais de 90% da produção ainda destinada ao agronegócio. A empresa já fornece embalagens para lubrificantes e mira o setor de combustíveis. A implantação de equipamentos alemães para separação por cor reduziu custos entre 5% e 10%.
Okamura também sinalizou a preparação de liderança para aplicações de inteligência artificial nas áreas de captação, produção e controle de qualidade, fortalecendo a cadeia do sistema.
Um sistema de referência global
Em 2025, o Sistema Campo Limpo destingiu cerca de 76 mil toneladas de embalagens vazias, alta de 11% frente a 2024, com 92% do material reciclado. O sistema envolve outras 9 empresas e uma rede com 424 unidades de recebimento em 25 estados e no Distrito Federal, além de 4.795 recebimentos itinerantes.
Dados apontam que 65 mil toneladas eram de plásticos de embalagens de defensivos, representando quase a metade do volume reciclado mundialmente nesse material. Segundo Okamura, o Brasil recicla aproximadamente 65 mil toneladas neste ano, comparável à metade do que ocorre mundialmente.
Foi ressaltado que o diferencial do modelo está na transformação do material reciclado em novos produtos, não apenas na coleta, ampliando o valor econômico gerado pelo material reciclado.
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