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China e Brasil: por que alguns países crescem e outros não

Análise mostra que reformas ajudam, mas o crescimento depende da difusão tecnológica e de políticas que incentivem inovação sem sufocar a concorrência

Imagem: VectorMine/Getty Images/Project Syndicate
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  • China, desde a reforma e abertura de 1978, teve o crescimento mais rápido da história e a renda per capita aumentou cerca de 20 vezes, com centenas de milhões saindo da pobreza.
  • A Índia iniciou reformas há cerca de trinta e cinco anos; a renda média ajustada pela inflação ficou quase cinco vezes maior que em 1991.
  • Outros países, como Vietnã, Bangladesh, Polônia e Turquia, também cresceram rápido, enquanto Brasil e México estabilizaram reformas na década de noventa, mas o crescimento foi fraco.
  • A explicação sobre por que alguns países prosperam e outros não envolve produtividade e inovação; a difusão de tecnologia é lenta e as capacidades produtivas são muitas vezes específicas de cada setor.
  • Políticas públicas precisam complementar o mercado: coordenar investimentos, oferecer bens públicos setoriais e formação, além de incentivar a inovação sem reduzir a concorrência.

A economia mundial segue um enigma: por que alguns países crescem mais rápido que outros, mesmo com reformas semelhantes? O texto analisa estruturas históricas, políticas públicas e o papel da inovação na renda per capita.

China e Índia aparecem como casos marcantes de transformação econômica. Desde reformas inauguradas na década de 1970, a China registrou o maior crescimento histórico, elevando a renda média em dezenas de milhares de dólares e tirando centenas de milhões da pobreza. A Índia também avançou, mas com ritmo menos expressivo.

Brasil e México são citados como exemplos de reformas abertas na década de 1990, que não asseguraram prosperidade prolongada. Enquanto houve avanços institucionais, o crescimento per capita permaneceu moderado, e a convergência com economias avançadas tem avançado lentamente, se é que avança.

Mudanças estruturais e produtividade

A pesquisa aponta que reformas políticas ajudam, mas raramente garantem aceleração sustentada da economia. O motor central, segundo a análise, está na melhoria da produtividade via inovação tecnológica. Rendimentos elevados favorecem a inovação, mas podem sufocar concorrência se não houver equilíbrio.

Alguns economistas destacam que as capacidades produtivas são difíceis de difundir entre fronteiras. Ideias se propagam rapidamente, mas competências técnicas exigem aprendizado prático e ciclos longos de formação. Sem esse processo, a difusão tecnológica é lenta.

Papel das políticas públicas

Políticas públicas precisam coordenar investimentos setoriais, oferecer bens públicos e formação profissional, além de criar ambiente que recompense a inovação sem ampliar o poder de incumbentes. Mercados por si sós nem bastam para modernização tecnológica.

O artigo ressalta que o progresso depende de fatores subjacentes como educação, expectativa de vida e investimento, que melhoraram em vários países. Ainda assim, a convergência com economias desenvolvidas tem sido irregular e lenta.

Caminhos e limitações

A explicação central reside na difusão lenta da tecnologia e na especificidade setorial das capacidades produtivas. Assim, políticas públicas bem desenhadas podem acelerar reformas, mas não garantem, por si sós, o crescimento desejado.

O estudo reforça a importância de investir em inovação com equilíbrio entre recompensa e competição. Apenas adotar tecnologia não basta; é necessário criar habilidades locais que aproveitem esses avanços.

Fonte: Project Syndicate, 2026.

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