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Classes D e E encolhem: menos de 20% da população brasileira

Classes D e E caem para 19,4% da população em 2025, menor nível desde 2012, com melhoria do mercado de trabalho e programas de transferência de renda

Bruno Imaizumi: “O crescimento da economia não é positivo só para um grupo” — Foto: Gabriel Reis/Valor
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  • Em 2025, a participação das classes D e E caiu para 19,4% da população, cerca de 41 milhões de pessoas, com renda per capita de até R$ 760 por pessoa.
  • A série da 4Intelligence começa em 2012 com 31,6% na base e chegou ao pico de 34% em 2021; a queda recente é atribuída ao melhor mercado de trabalho e a programas de transferência de renda.
  • A classe A subiu de 2,7% em 2012 para 3,8% em 2025, ultrapassando 8 milhões de pessoas; o rendimento per capita na A é de R$ 14.214, enquanto D/E fica em R$ 453.
  • A maior parte da população continua nas classes C2 e C1, que somam cerca de 56%; o rendimento per capita é de R$ 1.104 na C2 e R$ 1.921 na C1.
  • Especialistas avaliam que a mobilidade social foi frágil: Bolsa Família ajudou a reduzir pobreza, mas a transição para classe média estável depende de empregos de qualidade e continuidade de benefícios.

A participação das classes D e E no Brasil caiu para o menor nível já registrado em 2025, segundo a consultoria 4Intelligence. Hoje, 19,4% da população vive em domicílios com renda por pessoa de até R$ 760, o que representa cerca de 41 milhões de indivíduos.

A série histórica começa em 2012, quando essas camadas somavam 31,6% da população. O percentual atingiu o pico de 34% em 2021, durante a pandemia de covid-19. A partir de então houve redução gradual dessa parcela.

A avaliação indica que o mercado de trabalho e os programas de transferência de renda contribuíram para a queda. Segundo o economista Bruno Imaizumi, há migração de famílias para faixas de renda mais alta, mas a ascensão social ainda é frágil.

Boa parte das famílias que deixou a pobreza vive em vulnerabilidade financeira elevada, segundo o pesquisador Flávio Ataliba. A continuidade do emprego, a inflação controlada e juros baixos são fatores normalmente exigidos para manter essa melhoria.

No topo da pirâmide, a classe A ampliou sua participação. Em 2012, representava 2,7% da população; em 2025, chegou a 3,8%, com domicílios acima de R$ 7.989 por pessoa. O número de pessoas nessa faixa superou 8 milhões em 2025.

A participação de domicílios na classe A também cresceu, de 3,9% para 4,9% no período. Enquanto isso, as classes D e E recuaram de 25,3% para 15,8%. A desigualdade de renda entre grupos persiste, mesmo com a redução dessas parcelas.

Em 2025, a renda média domiciliar per capita ficou em R$ 453 para as classes D e E. Já para a classe A, o valor chegou a R$ 14.214, cerca de 31 vezes maior que o da base da pirâmide.

A maioria da população continua concentrada nas classes C2 e C1, que somam cerca de 56% dos brasileiros. Em 2025, a renda média per capita foi de R$ 1.104 na C2 e de R$ 1.921 na C1, segundo a 4Intelligence.

Para entender impactos, o estudo aponta que o Bolsa Família foi essencial para a melhoria de consumo entre as camadas mais pobres. Entre as segundas camadas, o mercado de trabalho, especialmente informal, foi determinante.

Segundo Ataliba, a mobilidade social ocorrida foi majoritariamente de base, com deslocamento de pessoas abaixo da pobreza para pobreza moderada ou baixa renda. A consolidação de uma classe média estável ainda demandará eficiência econômica e emprego de qualidade.

O levantamento da 4Intelligence é usado para estimar o potencial de consumo brasileiro. A metodologia se aproxima da Abep, com atualização anual dos tetos de renda pelo IPCA e uso de dados de bens duráveis e da PNAD Contínua.

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