- A Polícia Federal deflagrou a operação Miragem contra o Digimais, suspeito de fraudes contábeis e de ocultar deterioração da carteira de crédito; foram cumpridos nove mandados e houve bloqueio de mais de R$ 670 milhões.
- O banco apresentou, no balanço de set/2025, liquidez de R$ 2,1 bilhões, mas as investigações apontam crise de recursos e risco de liquidação pelo Banco Central.
- A demonstração não detalha a composição da liquidez; há menção a R$ 2 bilhões em aplicações de liquidez imediata e R$ 127 milhões em operações compromissadas, além de R$ 4,2 bilhões em títulos e R$ 1,89 bilhão em carteira de crédito.
- A PF sustenta que a diretoria superavaliou ativos e manipulou balanços para ocultar a deterioração da carteira; auditorias independentes anteriores não indicaram problemas de liquidez.
- O inquérito relaciona o caso ao “modus operandi” do Banco Master, com ligações a operações de precatórios e a tentativa de aquisição do Digimais pela Bluebank em 2025.
O Banco Digimais, alvo de uma operação da Polícia Federal, é suspeito de fraudar demonstrações financeiras, segundo a PF. Em balanço de 2025, a instituição informou liquidez de R$ 2,1 bilhões, entre caixa e investimentos de liquidez imediata, que poderiam ser resgatados a qualquer momento. A avaliação contrasta com a realidade apontada pela investigação, de insuficiência de recursos e risco de intervenção pelo BC.
A PF também apontou que a diretoria replicou a prática de superavaliar ativos, emitindo títulos com rentabilidades desproporcionais para ocultar a deterioração da carteira de crédito. A operação Miragem ocorreu na última terça-feira, com cumprimento de nove mandados de busca e apreensão envolvendo alvos ligados ao Digimais. O proprietário, Edir Macedo, ficou sujeito a quebra de sigilo e bloqueio de bens, por residir no exterior.
O balanço de segundo semestre de 2025 mostra que, em julho de 2024, o banco registrava R$ 2,8 bilhões em caixa e equivalentes e, em 31 de dezembro, esse montante caiu para R$ 2,1 bilhões. A divulgação não detalha a composição completa da liquidez, mencionando apenas aplicações de liquidez imediata estimadas em R$ 2 bilhões e operações compromissadas em R$ 127 milhões.
Além da liquidez, o Digimais apresentava R$ 4,2 bilhões em títulos e valores mobiliários e uma carteira de crédito de R$ 1,89 bilhão. Uma auditoria independente feita antes da operação não indicou problemas de liquidez, insuficiência de caixa, ou incerteza significativa de continuidade operacional.
Situação regulatória e histórico de irregularidades
Segundo a PF, o BC investigava irregularidades no Digimais desde 2023. Em fevereiro daquele ano, o banco passou a adquirir precatórios do fundo ID112, originados de uma ação de indenização envolvendo a União. Os créditos foram reavaliados de R$ 9 milhões para R$ 100 milhões, e depois houve novas compras pelo Digimais, com reavaliação para R$ 304 milhões.
O BC apontou infração na reavaliação de patrimônio e exigiu reversão aos valores originais. Apesar disso, o Digimais vendeu cotas da investidora para a controladora indireta, a B.A. Empreendimentos, com pagamento previsto para 2032 e com reversão de provisões determinadas pelo regulador.
Auditores identificaram que a compra do fundo não refletia condições de mercado usuais e dependia de aportes dos controladores. Na prática, isso indicaria inflacionamento artificial de ativos da empresa, segundo as análises anexadas aos processos.
Relação com o Banco Master e desdobramentos
A PF aponta semelhanças entre o Digimais e o que ficou conhecido como “Banco Master”, investigado por fraudes no sistema financeiro. O documento destaca que o Digimais funcionou como modelo para outras instituições e resume o modus operandi sob investigação. Em 2025, o ex-sócio do Master tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank, mas a autoridade regulatória vetou a operação.
A PF também registra que o Digimais destinou cerca de R$ 600 milhões a carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Master. A manutenção de créditos de origem questionável, associada à captação de recursos com taxas acima do mercado, é apresentada como evidência de gestão temerária ou fraudulenta.
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