- Economistas ouvidos pelo Banco Central projetam impacto do El Niño na inflação de 2026 em 0,3 ponto percentual e de 2027 em 0,4 ponto.
- O questionário mostrou que os entrevistados já incorporaram cerca de dois terços desse impacto para este ano e metade para o próximo.
- O IPCA deve ficar em 5,2% neste ano e 4,2% no próximo, ambos acima da meta de 3%.
- Antes da decisão de hoje sobre a Selic, o mercado esperava encerrar o ano em 14% e chegar a 12% no fim de 2027.
- Citi aponta que os preços de alimentos devem sofrer maior pressão com o El Niño; BTG Pactual aponta possível “super El Niño” e elevou a previsão de inflação para 2027 a 4,5%.
O Banco Central divulgou nesta quarta-feira uma pesquisa com economistas sobre os efeitos do El Niño na inflação brasileira. O levantamento aponta impactos previstos por meio ponto percentual em 2026 e 2027, ainda não integralmente incorporados às projeções.
A enquete, a primeira desde janeiro de 2024 a incluir a pergunta sobre o fenômeno, mostra que o El Niño tende a intensificar no segundo semestre. Os resultados consideram o aquecimento das águas do Pacífico e a redistribuição de chuvas no território nacional.
Projeções e cenário macro
A mediana das estimativas aponta alta de 0,3 pp para o IPCA de 2026 e 0,4 pp para 2027. Mesmo com esse efeito, os economistas já incorporaram parte do choque ao preço ao consumidor deste ano, mas menos para o próximo.
O IPCA deve fechar 2026 em 5,2% e 2027 em 4,2%, ambos acima da meta de 3% do BC. Antes da última decisão de política monetária, estimativas indicavam 14% de Selic no fim de 2026 e 12% ao fim de 2027.
Impactos setoriais e contexto
O Citi aponta que os preços dos alimentos serão o principal canal de transmissão do El Niño, com secas no Nordeste afetando culturas como café, açúcar e frutas cítricas. Dados indicam forte efeito sobre inflação de alimentos nos períodos de choque.
Analistas do BTG Pactual destacam sinal de um “super El Niño” e prevêem que o impacto nesses itens se tornará mais pronunciado no próximo ano. A instituição elevou sua projeção de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5%.
Observações finais do mercado
Parte dos economistas informou ter incorporado cerca de dois terços do choque do El Niño para este ano e metade para o próximo. A credibilidade da condução da política monetária dialoga com a transmissão do choque para as expectativas, segundo a nota de avaliação financeira.
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