- A escassez de mão de obra qualificada e a pressão de custos ajudam a manter a construção civil brasileira sob desafio, mesmo com alta atividade no setor.
- A construção atingiu mais de 3 milhões de trabalhadores formais, o maior nível desde 2014, mas a oferta de profissionais não acompanha a demanda, especialmente para funções operacionais especializadas.
- Profissionais experientes passaram a negociar por produtividade ou por tarefa, elevando os custos de mão de obra e influenciando prazos e padrões de qualidade.
- A produtividade da construção caiu 20,4% nos últimos 30 anos, e o Custo Unitário Básico tem visto maior peso de mão de obra (close de 60%) em relação aos materiais (cerca de 40%).
- A economia global, com tensões geopolíticas e gargalos logísticos, eleva preços de insumos e fretes, impactando o INCC e os custos de obras.
A construção civil brasileira vive um paradoxo: atividade elevada, geração de empregos robusta, mas dificuldade crescente para contratar profissionais qualificados e controlar custos. O cenário impacta orçamentos, prazos e rentabilidade.
Especialistas apontam que a pressão não se resume a reajustes salariais. A soma de oferta restrita de mão de obra especializada e demanda elevada favorece negociações por produtividade e por tarefa, elevando o custo de produção.
O setor já ultrapassou 3 milhões de trabalhadores formais no país, o maior patamar desde 2014, segundo a CBIC. Mesmo assim, empresas percebem que a oferta não acompanha a demanda por mestres de obras, pedreiros, carpinteiros e instaladores.
A transformação do mercado de trabalho amplia o poder de negociação de profissionais experientes, que escolhem projetos mais atrativos e elevam valores para atuar no canteiro. O efeito distorce o custo por hora e o custo unitário básico.
Essa dinâmica tem ajudado a ampliar o peso da mão de obra no custo total da obra. Atualmente, o quadro aponta evolução de custos com mão de obra e redução relativa de participação de materiais no CUB.
A produtividade na construção civil também vem caindo. Dados da CNI mostram queda de 20,4% na produtividade nos últimos 30 anos, ampliando a pressão sobre prazos e qualidade.
A participação entre mão de obra e materiais no CUB mudou nos últimos 25 anos: de 40% para mão de obra e 60% para materiais, para perto de 60% de mão de obra e 40% de materiais. O câmbio influencia decisões de orçamento.
A locação de equipamentos também sente os impactos. Alta utilização de ativos devido ao volume de obras dificulta a negociação de valores e eleva os custos operacionais dos canteiros.
Influência da economia global
Além dos fatores domésticos, a cadeia de suprimentos é sensível a oscilações globais. Tensões geopolíticas e gargalos logísticos elevam preços de insumos usados na construção.
Materiais derivados do petróleo, como tubos de PVC e impermeabilizantes, dependem da estabilidade do mercado internacional de energia. Interrupções podem ser repassadas à cadeia da construção.
O transporte de cargas acompanha as variações de preço dos combustíveis, afetando compras de matérias-primas e a logística de entrega aos canteiros. Isso influencia índices como o INCC.
No médio e longo prazo, a tendência é de continuidade de oscilações de preços conforme o cenário internacional, conflitos e disponibilidade de insumos.
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