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Estudo aponta que infraestrutura resiliente no Brasil rende 8x o investimento

Estudo internacional aponta que, no Brasil, cada US$ 1 investido em infraestrutura resiliente rende até US$ 8 em economia, com IRR de até 886% em energia, estradas e água

Caminhão leva turbina eólica em estrada de Canudos, na Bahia. (06/05/2023)
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  • Estudo promovido pela AXA e pela International Finance Corporation aponta que, no Brasil, investir em infraestrutura resiliente rende até US$ oito por cada US$ um investido, com foco em eletricidade, estradas e água.
  • No setor de energia, cada dólar aplicado na adaptação da rede leva a US$ 8,6 de valorização do ativo a longo prazo, com IRR de até 886%.
  • Não investir na adaptação das estradas pode provocar perdas de até 28,7% do valor do ativo; nas transmissões elétricas, a perda pode chegar a 30%.
  • Projetos diretos, como instalação de para-raios e limpeza de áreas ao redor das redes, ajudam a evitar apagões e proteger o abastecimento.
  • Limitar o risco depende de financiamento de longo prazo; estender empréstimos de seis para 15 anos pode dobrar a IRR, mas o investimento público-privado ainda não atinge a escala necessária.

Infraestrutura resiliente no Brasil pode multiplicar o retorno por oito. Um estudo promovido pela AXA Climate e pela International Finance Corporation aponta ganhos expressivos ao investir em adaptação às mudanças climáticas nos setores de eletricidade, estradas e água no Brasil. O foco é medir o retorno econômico de medidas de resiliência, não apenas custos de adaptação.

O estudo analisa vulnerabilidades das infraestruturas brasileiras frente a enchentes, incêndios e secas. Identifica prioridades de investimento para reduzir riscos e impacta a economia como um todo, com benefício direto para o valor dos ativos ao longo do tempo.

A pesquisa aponta que, no setor de energia, investir na adaptação da rede de transmissão e distribuição pode preservar o valor do ativo a longo prazo, com retorno de até 8,6 vezes o investimento inicial. A taxa interna de retorno estimada é de 886%.

Caso não haja investimento na adaptação das estradas, o relatório aponta perdas de até 28,7% no valor do ativo, e de 30% no caso das transmis­sões elétricas, ressaltando a deterioração conforme o tempo passa sem proteção.

Projetos simples, grandes efeitos

Medidas simples, como instalação de para-raios contra tempestades e manejo da vegetação ao redor das redes, ajudam a evitar incêndios que afetam o abastecimento de energia. O efeito é reduzir apagões e manter a continuidade dos serviços.

Antoine Denoix, CEO da AXA Climate, ressalta que uma infraestrutura mais resiliente favorece a continuidade dos serviços e evita perdas financeiras significativas decorrentes de interrupções. O conceito é que o investimento rende mesmo em cenários de eventos extremos.

A dimensão da água também apresenta ganhos, com estimativas médias de retorno de 6,3 por dólar investido. Ainda assim, os resultados variam por setor, com as estradas projetadas registrando menor retorno médio, de aproximadamente 2,2 por dólar.

Financiamento e implementação

O estudo destaca que o acesso a empréstimos de longo prazo estimula mais investimentos em adaptação. A extensão de seis para 15 anos pode dobrar a taxa de retorno de projetos de resiliência.

A estimativa aponta a necessidade de US$ 300 bilhões em investimentos globais de adaptação para países emergentes, valor ainda distante da realidade atual. Embora exista capital disponível, o fluxo precisa aumentar em escala e velocidade.

Os autores ressaltam a importância de envolvimento direto de atores locais. Planos de adaptação impostos de cima para baixo costumam falhar, enquanto a cooperação com governos locais e setor privado aumenta a eficácia.

Cenário climático e incertezas

Mesmo com avanços, o cenário atual indica que limitar o aquecimento global a 1,5°C até o fim do século é improvável. As seguradoras mantêm cautela, ressaltando que o apetite ao risco dos atores condiciona o ritmo de investimentos.

O relatório incentiva uma visão prática, com foco em medidas já viáveis e com impacto demonstrável na resiliência econômica. A conclusão enfatiza que o custo de não investir tende a ser maior ao longo do tempo.

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