- O indicador EBIT/Dívida Bruta mede a relação entre lucro operacional e endividamento, ajudando a entender a capacidade de sustentar dívidas com resultados.
- A análise, baseada na mediana da relação entre EBIT/Dívida Bruta das empresas listadas na B3, usa o EBIT acumulado dos últimos doze meses.
- O estudo aponta que o Brasil teve seu melhor momento em 2021, e a partir de então houve deterioração por quatro anos, interrompida no primeiro trimestre de 2026.
- O cenário é influenciado pelo ciclo da Selic, que elevou o custo do capital e pressionou as dívidas, mesmo com a normalização de resultados em alguns setores.
- Em comparação internacional, o S&P 500 manteve uma relação mais estável entre geração operacional e endividamento, sugerindo espaço para eventual recuperação das empresas brasileiras.
O indicador EBIT/Dívida Bruta, desenvolvido pela Elos Ayta, mede a relação entre o lucro operacional das empresas e seu endividamento. O estudo, com base na mediana da base da B3, mostra como a geração de resultados sustenta ou não a dívida. A análise usa EBIT acumulado nos últimos doze meses para reduzir sazonalidades.
A pesquisa acompanha a empresa típica da bolsa brasileira ao longo do tempo, não casos isolados. O objetivo é entender se a geração de resultados cresce no mesmo ritmo da dívida, mantendo ou elevando a margem de segurança dos credores.
A leitura histórica aponta que as companhias chegaram ao ápoge em 2021, quando a relação EBIT/Dívida Bruta atingiu patamares mais fortes. A partir daquele ano, houve quatro anos de piora, interrompidos apenas no primeiro trimestre de 2026.
Desempenho recente e metodologia
A metodologia usa a mediana do indicador entre as empresas listadas na B3 e o EBIT acumulado, o que suaviza variações sazionais. O objetivo é perceber a saúde financeira da empresa mediana da bolsa brasileira ao longo do tempo.
O estudo ressalta que a relação entre geração operacional e dívida é pró-cíclica: melhora em ciclos de expansão e piora com juros altos e desaceleração. Assim, o indicador antecipa tendências nos balanços.
Contexto macro e efeitos da política monetária
A Selic elevada, após a pandemia, elevou o custo do capital e as despesas financeiras, pressionando o endividamento. Mesmo com normalizações setoriais, o ambiente restritivo pesou sobre a capacidade de sustentar dívidas.
A análise também contextualiza o desempenho internacional, destacando o S&P 500 como benchmark. Mesmo com queda recente, as empresas norte-americanas mantêm uma relação mais confortável entre lucro operacional e endividamento.
Perspectivas para 2026
A interrupção da tendência de queda no EBIT/Dívida Bruta no primeiro trimestre de 2026 é vista como possível sinal de estabilização. Ainda não há confirmação de mudança estrutural, mas indica desalavancagem gradual em um cenário de juros mais previsível.
A conclusão comum é de que a capacidade de gerar resultados para sustentar a dívida continua relevante. Quando o desempenho operacional volta a crescer, o risco de inadimplência tende a recuar.
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