- A Justiça de São Paulo determinou perícia técnica para avaliar se carteiras de crédito vendidas pelo Digimais ao fundo EXP 1 FIDC têm lastro ou são podres, conforme acusa a gestora Yards.
- Auditoria contratada pela Yards constatou irregularidades em cerca de 42% das CCBs transferidas, principalmente entre títulos de maior valor, totalizando cerca de 22 mil contratos.
- Dos 3,1 milhões de parcelas por vencer, 2,1 milhões (58%) não tinham lastro documental, conforme relatório da auditoria.
- No fim do ano passado, o Digimais passou a não repassar valores cuja titularidade mantinha consigo e pediu aos cedentes que direcionassem os pagamentos diretamente ao banco.
- O processo, na 33ª Vara Cível de São Paulo, envolve pedido para indenização por danos e para abertura de conta vinculada, com prazo de 30 dias para o Digimais apresentar documentação necessária à perícia. A PF também mira o banco por possíveis irregularidades contábeis.
A Justiça de São Paulo determinou a realização de uma perícia técnica para apurar se carteiras de crédito vendidas pelo Digimais, o banco ligado ao fundador da Igreja Universal, possuem lastro ou contêm ativos podres. A ação envolve um fundo de investimento, o EXP 1 FIDC, que adquiriu uma carteira em março do ano passado por cerca de 722 milhões de reais, sem a documentação devida apresentada inicialmente.
A auditoria contratada pela gestora Yards indicou irregularidades em cerca de 42% das CCBs transferidas, incluindo valores mais altos. O levantamento aponta que 41% a 42% da carteira não teve lastro comprovado ou tinha pendências, o que representa aproximadamente 22 mil contratos. No total, 2,1 milhões de parcelas de um total de 3,1 milhões estavam sem lastro.
Contexto
O Digimais, que vendeu a carteira ao EXP 1 FIDC, já deixou de repassar valores cuja titularidade nominal permaneceu com o banco desde o fim do ano passado. A gestora pediu que o banco tenha de repassar esses montantes aos cedentes originais, além da abertura de uma conta vinculada para recebimentos diretos.
O que acionou a perícia
Na 33ª Vara Cível de São Paulo, o fundo pediu a perícia contábil para verificar obrigações contratuais do Digimais, retenção de valores, existência de lastro e extensão de eventuais perdas e danos. A magistrada exigiu que o banco apresente, em 30 dias, toda a documentação necessária à verificação do lastro e dos repasses.
Defesas e próximos passos
O Digimais afirma ter enviado toda a documentação comprobatória dos créditos cedidos. A defesa também sustenta que a Yards reconheceu falhas somente após a constituição do fundo, o que pode indicar falhas na análise de lastro prévia. O órgão judicial não respondeu às contestações no momento, e a perícia deve orientar o mérito do processo.
Contexto institucional
Em paralelo, o Digimais esteve sob escrutínio após uma operação da Polícia Federal na terça-feira, envolvendo suspeitas de inflar balanços para ocultar dificuldades financeiras. A investigação envolve uma transação de uma dívida que remonta a 1942, com pagamento inicial de 71 milhões de reais, mas contabilizada no balanço em 741 milhões.
Atualização
A defesa da Yards e do Digimais não havia se posicionar até o momento da publicação. O texto está sujeito a atualizações conforme o andamento processual e a entrega de documentos solicitados pela Justiça.
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