- A ideia de multifranquia ganha força no Brasil: 88% das marcas pesquisadas pela ABF têm multifranqueados, e 62% desses operam mais de uma marca.
- Casos como Carmine Ribeiro mostram a transição de operar lojas isoladas para gerenciar várias unidades de marcas diferentes (Bibi, Artex, Vans), buscando padronizar processos e cultura.
- Outros profissionais, como Kelvin Lopes, passam de vendedor a franqueado master, crescendo de uma loja para dezenas e ampliando a gestão para todo o estado de São Paulo.
- Os benefícios incluem maior leitura de indicadores, governança, proximidade com fornecedores e maior capacidade de expansão sem recomeçar do zero a cada unidade.
- Desafios financeiros persistem: capital próprio, crédito e juros afetam planos de expansão, levando alguns multifranqueados a priorizar maturação de equipes e consolidação antes de abrir novas unidades.
Carmine Ribeiro mergulhou no mundo do varejo após acompanhar o pai em um comércio de bairro em São Luís, no Maranhão. Formada em farmácia, ela abriu em 2009 uma loja de calçados infantis por conta própria, aprendendo a gerir todas as áreas da operação.
Em 2019, a proprietária assumiu três unidades da rede Bibi Calçados, o maior texto da América Latina nesse segmento. A mudança a levou a adotar um olhar mais estratégico, além de padronizar processos entre lojas.
Essa trajetória é exemplo da expansão por multifranquias no Brasil, modelo em que redes passam a operar com várias marcas sob gestão de um mesmo empresário. Segundo a ABF, 88% das redes pesquisadas têm multifranqueados; entre eles, 62% atuam com mais de uma marca.
O que é multifranquia e quem participa
Carmine opera com as marcas Bibi, Artex e Vans, assumindo gestão multimarcas. Já Kelvin Lopes cresceu dentro da Casa do Celular, ocupando cargos até tornar-se franqueado master em São Paulo, com expansão de uma loja para 20 unidades nos últimos dois anos.
A transição de funcionário a franqueado master exige visão além da loja, com leitura de indicadores, governança e liderança. Cristy Martins, da ABF, afirma que o princípio é mudar o perfil do empreendedor, não apenas somar unidades.
Benefícios e desafios da expansão
Com mais operações, o empreendedor compara custos entre lojas e revisa processos com mais agilidade. A escalabilidade permite crescer faturamento usando aprendizados da primeira unidade, conforme especialistas consultados pela ABF e Sebrae.
A relação com franqueadoras facilita acesso a fornecedores regionais e fortalece redes de expansão. Shoppings passam a tratar o multifranqueado como peça estratégica, não apenas como lojista, segundo Cristy Martins.
Fatores financeiros e impacto no consumidor
O desafio financeiro persiste: capital próprio ou crédito suficiente para maturar cada nova unidade. A coberta de crédito restrito afeta clientes, que passam a optar por modelos de gama intermediária. Redes mantêm parcerias para atender quem está negativado.
Diversificação de marcas reduz riscos; uma bandeira pode subir enquanto outra estoura, afirma Carmine. Em termos territoriais, Kelvin aponta vantagem de manter atendimento padronizado para um estado inteiro.
Perspectivas de expansão e maturação
Para quem expande, o mesmo esforço de investimento do início é necessário. Sem capital, abrir novas unidades pode ficar inviável. Carmine já sinaliza redução da expansão para consolidar as franquias atuais, priorizando marcas já em operação.
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