- Gestoras novas utilizam IA para competir com grandes investidores, especialmente em estratégias macro e renda fixa.
- O uso de grandes modelos de linguagem facilita análise de discursos de bancos centrais, textos econômicos e documentos corporativos, reduzindo a dependência de grandes equipes.
- Exemplos citados incluem a MQT Asset Management, Palinuro Capital, Osmosis NL, Alpha Curve Investments e o fundo Discretionary Macro Fund da Calibrate Management Ltd.
- A IA permite cobrir mais território com equipes menores: Osmosis NL afirma ter ampliado atuação com 15 pessoas e reduzido em 25% o plano de contratações nos próximos três anos.
- O mercado vê competição mais acirrada e democratização da infraestrutura de IA, embora grandes players ainda mantenham vantagem em capital, distribuição e escala.
Os avanços da inteligência artificial estão nivelando o campo entre gestores de fundos, segundo cinco executivos que lançaram suas próprias gestoras. Eles destacam que a IA substitui boa parte do trabalho de equipes de analistas, especialmente em dados de inflação, discursos globais e documentos corporativos.
Dharmesh Maniyar, doutor em aprendizado de máquina, criou a MQT Asset Management no fim de 2025. Ele afirma que a IA permite que uma empresa de nicho construa capacidades poderosas mais cedo, sem depender de estruturas grandes. Os fundos macro analisam grandes volumes de dados para antecipar impactos econômicos.
O hedge fund Palinuro Capital, lançado no ano passado por Alfonso Peccatiello, envolve cinco pessoas e pretende competir com equipes bem maiores. A gestora usa modelos de linguagem para interpretar discursos de dirigentes de bancos centrais de países variados, reduzindo a necessidade de especialistas regionais.
Pequenos gestores focados em renda fixa também adotam IA para ampliar atuação. A Osmosis NL, com 15 profissionais, já cobre um universo de investimentos antes acessível apenas a equipes maiores. A empresa reporta redução de 25% no plano de contratações para os próximos três anos.
Em conversa com o mercado, a Osmosis afirma que a IA permitiu acelerar pesquisas que antes levavam semanas. Victor Verberk, presidente, reforça que a tecnologia viabiliza operações mais amplas com menos pessoal, sem comprometer a precisão.
Versatilidade de uso e competição
A IA já transforma trabalho de escritório em setores como software e contabilidade, e bancos criam menos vagas de entrada. Na gestão de recursos, gestores utilizam IA para pesquisa, risco e cenários. Um levantamento do Barclays com mais de 400 investidores mostra uso diário de IA por metade dos gestores de renda fixa e pela maioria dos hedge funds.
Zornitsa Todorova, pesquisadora do Barclays, aponta que o mercado fica mais competitivo, democratizado e acelerado com a IA. Em cenários de risco, a Palinuro usou IA para analisar opções de proteção em petróleo e dólar, reduzindo custos.
Na Alpha Curve Investments, um fundo de renda fixa com quatro profissionais pediu ao Claude, da Anthropic, para estimar tendências de preços a partir de dados globais. Em seguida, transferiu 70% de sua carteira para títulos indexados à inflação de curto prazo.
Eric Lonergan, que comanda o Discretionary Macro Fund da Calibrate Management, utiliza IA para filtrar ativos globais e selecionar ideias de operação, função que antes demandava equipes grandes de analistas.
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