- Em 2026, a carne bovina teve altas, com picanha, filé-mignon e peito entre os destaques; maio mostrou elevação generalizada.
- O principal motor foi a redução da oferta no mercado interno, pressionada pelo ritmo intenso de exportações para a China.
- A corrida para ocupar a cota chinesa elevou os envios ao país; entre janeiro e maio de 2026 houve alta de 24% versus o mesmo período de 2025, e a China respondeu por 51% do total embarcado.
- Especialistas veem espaço para alívio temporário nos próximos meses com a desaceleração das compras da China, mas projetam novas altas até o fim do ano devido à demanda externa e ao El Niño.
- A suspensão das compras da União Europeia deve ter efeito limitado sobre o preço, já que a Europa representa apenas 3,5% das exportações brasileiras.
A carne bovina ficou mais cara em 2026, puxada pela alta da picanha, do filé-mignon e do peito. O barato não é: a forte corrida de frigoríficos para exportar à China reduz a oferta interna e pressiona os preços. Enquanto o disponibiliza cresceu, a demanda externa absorveu boa parte da produção.
Especialistas apontam que a pressão pode ter alívio temporário nos próximos meses, com queda nas compras chinesas. Ainda assim, a perspectiva é de novas altas até o fim do ano, devido à retomada da demanda externa e aos efeitos do El Niño sobre a oferta de gado.
O IBGE, em maio, mostrou alta generalizada: filé-mignon subiu 4,4%, picanha 3,9% e peito 3%. No acumulado de 2026, peito avança 13,6%, picanha 9,3% e capa de filé 11,8%. Dados refletem o comportamento de mercado frente à demanda externa.
A explicação primária é a exportação acelerada para China. Entre janeiro e maio de 2026, os embarques ao país cresceram 24% ante o mesmo período de 2025, com a China respondendo por 51% do total, segundo a consultoria Itaú BBA.
Em relatório da Safras & Mercado, a cota chinesa deve chegar a 98% ainda neste mês, restando pouco espaço para exportar sem tarifa adicional em julho. O consequente recolhimento de oferta pressiona o preço interno.
Para o analista Iglesias, a ausência temporária da China pode reduzir os preços da arroba, mas não afeta a disponibilidade de carne no mercado doméstico. O desafio está no último trimestre, com demanda aquecida no Brasil, EUA e China, somadas ao El Niño.
Entre impactos de curto prazo, o especialista aponta aumento de preços no varejo e maior volatilidade, mesmo com eventual maior disponibilidade local durante o hiato chinês. O efeito é de teto para a alta, seguido de novo repique.
As projeções não consideram apenas demanda externa. Iglesias destaca que o El Niño tende a reduzir a oferta de gado a pasto, restringindo a oferta total no segundo semestre. O cenário é visto como propenso a novas altas de preços.
Sobre a União Europeia, a suspensão de compras do Brasil tende a ter efeito limitado. A Europa representa 3,5% das exportações, com função simbólica de mercado vitrine. O impacto, segundo o analista, pode manchar a imagem brasileira, sem grande volume perdido.
Observação: a UE excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar para o bloco por questões de uso de substâncias na produção animal. A medida entra em vigor em 3 de setembro.
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