- Seth Klarman, CEO da Baupost, disse em conferência em Nova York que enxerga oportunidades em crédito corporativo no Brasil, onde os custos de financiamento estão próximos dos maiores da história.
- A Baupost mantém de dívida de uma empresa brasileira em reestruturação e sugeriu que fraquezas nos papéis resultantes podem abrir caminhos adicionais de ganho.
- O Man Group aponta distorções no Brasil e vê oportunidades em títulos corporativos da América Latina, com foco em energia, utilities, manufatura, materiais básicos e transporte.
- O mercado de crédito brasileiro enfrenta repetidos sustos desde a crise com a Americanas em 2023, com defaults elevados e spreads ainda apertados para ativos de qualidade AAA.
- Gestoras como Elliott Investment Management e Strategic Value Partners passaram a comprar dívida da Braskem, fortalecendo presença em negociações de crédito da petroquímica.
O renomado investidor Seth Klarman apontou oportunidades em crédito estressado no Brasil durante uma conferência em Nova York, neste mês. Ele mencionou uma empresa brasileira que precisou reestruturar a dívida, destacando que uma fraqueza nos papéis decorrente da reestruturação pode gerar chances adicionais de ganho para investidores. A fala ocorre em meio a um cenário de custos de financiamento elevados no país.
A trajetória de Klarman em busca de barganhas no Brasil evidencia a turbulência do mercado de títulos corporativos. Em 2023-2024, o país vivenciou rebaixamentos de rating e quedas de preços, pressionando balanços. A Baupost Group, com cerca de US$ 22 bilhões sob gestão em janeiro, não revelou o nome da empresa envolvida, mas confirmou a estratégia de crédito estressado.
O Man Group, maior hedge fund listado no mundo, também sinalizou oportunidades na região. Em nota divulgada em junho, a gestora afirmou ver a América Latina como foco de valor, destacando defaults idiossincráticos entre emissores brasileiros e a possibilidade de ganhos sem indicar um trauma sistêmico. A empresa administra mais de US$ 200 bilhões.
Kaushik Rambhiya, gestor do Man Group, afirmou que o grupo aproveita distorções de mercado no Brasil, especialmente no setor de óleo e gás, além de utilidades públicas, manufatura, materiais básicos e transporte. Segundo ele, o desempenho recente do petróleo ajudou a identificar oportunidades em empresas ligadas ao setor de energia.
O cenário local também envolve riscos e desafios. Investidores em crédito brasileiro enfrentam ciclos de colapsos corporativos e disputas judiciais, com a forma de tratamento aos credores variando conforme o caso. A onda de defaults iniciada pela Americanas em 2023 contribuiu para uma postura mais cautelosa entre gestores locais.
Outras gestoras têm ampliado posições em emissores brasileiros. Elliott Investment Management e Strategic Value Partners compraram dívida da Braskem, participando de negociações com credores. A Braskem discute um plano de reestruturação após desaceleração do setor e impactos ambientais no balanço.
As operações envolveram fatias da linha de crédito rotativo da Braskem, com a Elliott adquirindo também partes de títulos internacionais da empresa, segundo informações de veículos especializados. Essas ações ocorrem em meio a revisões de rating e à estratégia de renegociação de dívidas.
Mercados brasileiros de crédito Corporate vivem pressão, mas não são vistos como ameaça sistêmica. Em 2024, o retorno médio da dívida corporativa ficou próximo de 1%, frente a pouco mais de 5% de referência emergente. Emissão de títulos em moeda forte caiu para US$ 2 bilhões em maio.
Dados da Serasa Experian indicam que, em abril, houve recorde de inadimplência entre empresas, com impacto maior sobre companhias menores. Juros de dois dígitos dificultam refinanciamento, ampliando vulnerabilidade de parte do setor privado.
Gestoras como UBS Asset Management mantêm postura cautelosa quanto ao crédito corporativo brasileiro de alto rendimento. A taxa Selic elevada complica a capacidade de pagamento de dívidas, segundo Shamaila Khan, que também vê espaço para oportunidades estratégicas.
Apesar das dificuldades, especialistas apontam que o ambiente atual pode oferecer valor tático para determinados emissores. O cenário exige análise cuidadosa de fundamentos, garantias e condições de renegociação para credores e investidores.
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