- A Visa vê stablecoins como infraestrutura para pagamentos globais, com foco em transações corporativas e liquidações internacionais.
- O amadurecimento regulatório, o surgimento de fintechs e a demanda por pagamentos instantâneos impulsionam essa aposta.
- A empresa investe em stablecoin-linked cards, conectando carteiras de stablecoins a credenciais Visa para uso em lojas, com conversão automática pela Visa.
- A aprovação da Genius Act nos EUA consolidou as stablecoins como meio de pagamento legal, elevando seu papel na infraestrutura de pagamentos, inclusive para liquidações entre participantes da rede.
- O horizonte é de múltiplas blockchains e stablecoins, com espaço para moedas locais; CBDCs ganham menos protagonismo, e há expectativa de maior cooperação entre bancos e fintechs no setor.
A Visa enxerga as stablecoins como infraestrutura de pagamentos, não apenas como instrumento de criptoativos. Em visão de Cuy Sheffield, vice-presidente de cripto da empresa, a tecnologia ganha relevância especialmente em transações corporativas e liquidações internacionais.
Segundo o executivo, o amadurecimento regulatório, o surgimento de fintechs e a demanda por pagamentos globais instantâneos impulsionam essa consolidação. A visão é que stablecoins representem moedas fiduciárias na blockchain, abrindo acesso a dólares para empresas em diversos países.
A virada ocorreu entre o fim de 2022 e o início de 2023, quando o mercado cripto atravessava a crise da FTX. Mesmo assim, o interesse por stablecoins permaneceu estável, com percepção de que são apenas dólares habilitados por tecnologia blockchain.
Nova classe de empresas e o papel da Visa
A mudança não ficou restrita às corretoras. Surgiu uma nova geração de fintechs que utilizam stablecoins como infraestrutura, sem foco em investimentos ou negociação de ativos digitais. A Visa passou a investir em cartões vinculados a stablecoins para permitir pagamentos com saldos em qualquer estabelecimento que aceite Visa.
A proposta é conectar uma credencial Visa a uma carteira de stablecoins, fazendo a conversão sem que o comerciante precise lidar com ativos digitais. Sheffield aponta que a Visa atua como ponte entre o mundo das stablecoins e o varejo tradicional.
Avanço regulatório e volumes processados
O apoio regulatório dos EUA, com a Genius Act, foi considerado um impulso crucial para a consolidação das stablecoins como infraestrutura de pagamentos. A legislação define stablecoins como meio de pagamento com regras claras, segundo o executivo.
A Visa também processa liquidações entre participantes da sua rede usando stablecoins. O objetivo é viabilizar movimentação de recursos 24/7 entre fronteiras, reduzindo dependência de janelas de funcionamento bancário tradicional. O comentário enfatiza a limitação de sistemas que não operam nos fins de semana.
Recentemente, o Fórum de Pagamentos Visa anunciou que o volume anual processado pela VisaNet em liquidações via blockchain atingiu US$ 7 bilhões até março de 2026. O dado mostra que stablecoins já desempenham papel relevante em pagamentos corporativos de alto valor.
Futuro e diversidade de moedas
A estratégia da Visa envolve coexistência com infraestruturas tradicionais, como Swift e Fedwire, funcionando como complemento. A empresa vislumbra um ecossistema com múltiplas blockchains e stablecoins, não apenas USDT e USDC dominando o mercado.
Sheffield afirma que é improvável que cada banco crie sua própria moeda digital. Em vez disso, devem surgir iniciativas de consórcio entre instituições financeiras para stablecoins, com experimentação de diferentes modelos interbancários.
A visão também aponta para o crescimento de stablecoins lastreadas em moedas locais. Entre os mercados observados, o Brasil aparece como destaque, com dobradição do mercado de stablecoins em reais desde o início de 2026. O objetivo é ampliar o uso para diversas moedas.
CBDCs e o papel das instituições
Quanto às moedas digitais emitidas por bancos centrais, o executivo considera que perderam protagonismo entre o público, por desafios regulatórios e operacionais. Projetos de uso entre bancos, como o Drex no Brasil, seguem com potencial de modernização dos sistemas de pagamento entre instituições.
A conclusão prevista pela Visa é de evolução contínua dos sistemas de pagamento, com estávelcoins atuando como ferramenta de pagamento para ambientes corporativos e interbancários, mantendo o equilíbrio entre inovação e segurança.
*A repórter viajou a convite da Visa
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