- A startup capixaba Yooga passou a oferecer ferramentas de inteligência artificial para gerar e aprimorar imagens de pratos usados em apps de delivery, apresentada pelo COO Vitor Sortica durante evento em Vitória.
- A ideia é permitir que pequenos negócios tenham fotos de alta qualidade, seja a partir de imagens próprias ou de um banco disponível na plataforma, com restrições para evitar conteúdos ilícitos.
- Especialistas dizem que não há regulamentação específica sobre imagens geradas por IA, mas o Código de Defesa do Consumidor pode exigir fidelidade entre a imagem e o produto entregue.
- Plataformas de delivery, como iFood, 99Food e Keeta, afirmam adotar regras para evitar engano e exigir transparência na apresentação dos itens.
- O Procon de São Paulo recomenda que estabelecimentos Informem quando imagens foram criadas por IA; caso haja divergência entre o anunciado e o entregue, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, produto equivalente ou devolução.
A Yooga, startup capixaba especializada em gestão e pontos de venda para restaurantes, anunciou a inclusão de ferramentas de inteligência artificial para criar e aprimorar imagens de pratos usados em apps de delivery. A apresentação foi feita pelo COO Vitor Sortica durante uma visita técnica em Vitória, no ES, na semana do ESX Innovation Experience, a convite do Sebrae.
A iniciativa ocorre em meio ao crescimento do uso de imagens geradas por IA no setor de alimentação e levanta debates sobre transparência, defesa do consumidor e responsabilidade das plataformas de entrega. A empresa destaca que a tecnologia pode ajudar pequenos negócios a competir visualmente com grandes redes.
A Yooga já oferece uma plataforma integrada com frente de caixa, controle de estoque, finanças, integração com delivery, cardápio digital, fidelidade e marketing. A base de clientes atual soma cerca de 7 mil restaurantes, bares e estabelecimentos de alimentação.
A ferramenta permite que restaurantes enviem fotos próprias para melhoria com IA ou escolham imagens de um banco disponível na plataforma. Segundo Sortica, o objetivo é reduzir desigualdades entre pequenos empreendedores e grandes redes, proporcionando imagens de alta qualidade para cardápios.
Aspectos operacionais da ferramenta
Sortica explicou que o sistema implementa salvaguardas para evitar usos indevidos, impedindo imagens de conteúdo ilícito. O funcionamento permite ainda o aprimoramento direto de fotos de pratos já existentes na plataforma.
A plataforma oferece também a opção de usar imagens de um banco próprio ou de melhorar fotos enviadas pelos restaurantes. A ideia é facilitar o cumprimento de padrões visuais semelhantes aos de grandes redes, sem exigir recursos dispendiosos aos pequenos negócios.
O executivo destacou que o uso pode trazer benefícios se a foto realmente representar o produto entregue. Em caso de discrepância entre imagem e produto, a responsabilidade recai sobre a prática comercial.
Desafios e limites legais
Especialistas lembram que ainda não há regulamentação específica sobre imagens de alimentos geradas por IA. O Código de Defesa do Consumidor traz instrumentos para responsabilizar abusos, especialmente quando a imagem cria falsas expectativas.
Advogada consultora do Sebrae ressalta que a fidelidade entre imagem e produto é o eixo central da legalidade. A simples geração por IA não é ilegal, mas deve haver transparência para evitar propaganda enganosa.
A discussão também envolve a participação de plataformas de delivery, que podem ser responsabilizadas se atuarem como intermediárias ou fornecedoras de imagens. A responsabilidade pode recair sobre todo o ecossistema da oferta.
Posicionamento das plataformas de delivery
Plataformas de entrega afirmam adotar diretrizes para evitar indução ao erro com imagens geradas por IA. O iFood, por exemplo, orienta que imagens de IA sejam usadas apenas quando representarem fielmente o produto, com regras específicas de apresentação.
A Keeta privilegia imagens reais e utiliza ferramentas de IA apenas para aprimorar fotografias, com identificação de conteúdos gerados pela IA quando dentro da plataforma. A 99Food recomenda não usar imagens geradas por IA nos cardápios.
O que pode ocorrer com o consumidor
Órgãos de defesa do consumidor orientam transparência na comunicação, com indicação de imagens geradas por IA quando cabível. A ausência de clareza pode caracterizar propaganda enganosa se induzir o consumidor a erro sobre o prato.
Em caso de divergência entre o anunciado e o que chega ao consumidor, é possível exigir o cumprimento da oferta, substituição por produto equivalente ou reembolso total. O debate jurídico acompanha evolução de regras específicas para IA.
A Yooga não comentou publicamente detalhes adicionais sobre a implementação da ferramenta no momento da publicação. Esse tema permanece em análise entre empresas, reguladores e especialistas.
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