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Braskem pede proteção financeira para facilitar mudança de controle

Braskem busca tutela de urgência para proteção financeira com credores, visando manter operações e viabilizar reestruturação de capital

Petrobras e IG4, que assumiram controle da Braskem, buscam organizar fluxo de caixa para manter operações industriais, enquanto renegociam dívida de R$ 52 bilhões
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  • Braskem pediu mediação na Câmara Wind de Mediação e tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, adotando medidas restritas aos credores financeiros.
  • A ação busca manter fluxo de caixa e garantir continuidade das negociações com esses credores, sem impactar fornecedores, clientes ou demais stakeholders.
  • Novo controle: Petrobras e IG4 passaram a deter 50,1% e 47% das ações com direito a voto; Novonor ficou com 4% sem voto.
  • Dívida e resultado: endividamento em cerca de R$ 52 bilhões; dívida líquida ajustada em US$ 8,5 bilhões, com alavancagem de 16,81 vezes; prejuízos em 2024 (R$ 11,3 bilhões) e 2025 (R$ 9,9 bilhões).
  • Patrimônio e contencioso: patrimônio líquido negativo; lucro do primeiro trimestre de 2026 foi de R$ 1,446 bilhão, mas há demora entre ativos e passivos; processo envolvendo o desastre em Maceió tramita na Justiça Federal.

Braskem pediu proteção financeira para ganhar tempo na negociação com credores. A empresa protocolou tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Capital de SP, e abriu mediação na Câmara Wind de Mediação. O foco é estritamente financeiro, sem envolver fornecedores, clientes ou demais partes interessadas.

A estratégia visa manter fluxo de caixa estável para evitar interrupções na operação enquanto ocorre a reestruturação de dívidas com os credores financeiros. Uma fonte ligada às negociações afirmou que a medida busca costurar um acordo sem paralisar linhas de produção.

Mudança de controle e novo cenário corporativo

Petrobras e IG4 passaram a controlar a Braskem, com 50,1% e 47% das ações com direito a voto, respectivamente; a Novonor ficou com 4% sem direito a voto. Magda Chambriard assumiu a presidência do conselho, e Helcio Tokeshi tornou-se CEO.

A empresa enfrenta endividamento próximo a R$ 52 bilhões, pressionando o caixa e elevando a alavancagem. No 1º trimestre de 2026, a dívida líquida ajustada ficou em US$ 8,5 bilhões, com alavancagem de 16,81x EBITDA.

Contexto financeiro e cenário de mercado

O passivo circulante supera o ativo, tanto na controladora quanto no consolidado, com patrimônio líquido negativo. Em 2024, Braskem registrou prejuízo líquido de R$ 11,3 bilhões; em 2025, a perda foi de R$ 9,9 bilhões.

No 1º trimestre de 2026 houve lucro líquido de R$ 1,446 bilhão, alta de 107% ante o mesmo período de 2025, porém os resultados não revertiram o quadro de endividamento. O patrimônio líquido permanece negativo, com números significativos tanto na controladora quanto no grupo consolidado.

Complicadores operacionais e legais

Custos indenizatórios ligados ao desastre geológico em Maceió ampliam a incerteza para a companhia. Em 15 de junho, a Justiça Federal em Alagoas abriu processo envolvendo a Braskem e ex-dirigentes sobre responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema na capital alagoana.

A direção afirma que a mediação e a tutela cautelar são instrumentos para estruturar uma solução de capitaleização com os credores, mantendo a operação estável durante as negociações. O objetivo é uma reorganização ordenada, alinhada à liquidez da empresa e às condições do setor petroquímico global.

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